15/10 - 13:46, atualizada às 19:57 15/10 - Redação com agências internacionais
O governo turco decidiu enviar ao Parlamento uma moção no qual pede aprovação para uma incursão militar contra o norte do Iraque com o objetivo de reprimir rebeldes curdos. Cemil Cicek, porta-voz do governo turco, disse que a moção pedindo a autorização seria imediatamente enviada para avaliação do Parlamento.
O porta-voz esclareceu que qualquer eventual operação militar teria como alvo exclusivo o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, por suas iniciais em curdo), numa aparente tentativa de tranqüilizar o governo central iraquiano e os curdos do norte do Iraque. "O único alvo desta moção é o PKK, que é uma organização terrorista", argumentou Cicek.
"Nós sempre respeitamos a soberania do Iraque, que é considerado por nós um país amigo e irmão, mas a realidade que todos conhecem é que essa organização terrorista, que possui bases no norte do Iraque, está atacando a integridade territorial da Turquia e seus cidadãos", prosseguiu.
O pedido, entretanto, não significa necessariamente a iminência de um ataque depois de um fim de semana de intensos confrontos na fronteira. Em 2003, o governo do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan requisitou duas autorizações similares ao Parlamento, mas não colocou os planos em prática.
Ancara vem pedindo há anos a Washington e a Bagdá que atuem para reprimir os guerrilheiros curdos refugiados na região semi-autônoma do norte do Iraque e que promovem ataques em solo turco.
Governo sob pressão
Em resposta a perguntas de jornalistas na residência do embaixador da Espanha em Ancara, o general Ergin Saygun, segundo na cadeia de comando do Exército turco, explicou que "assim que for dada autorização ao Exército será pensado o que se pode fazer e com qual objetivo".
O Governo do AKP se encontra sob pressão da opinião pública e dos militares, que pedem uma operação além da fronteira contra a presença do PKK após a morte há uma semana de 13 soldados em uma emboscada dos separatistas curdos em uma montanha da região fronteiriça com o Iraque.
Em declarações à agência de notícias pró-curda "Firat", o dirigente do PKK Duran Kalkan afirmou que os rebeldes se encontram dentro da Turquia e que o que está acontecendo está inserido no interior das fronteiras turcas.
"Mas se eles (o Exército e o Governo turco) dizem que cruzarão a fronteira iraquiana, devem fazê-lo. Por que falam tanto disso? Verão o que acontecerá quando cruzarem a fronteira", ameaçou.
A possibilidade de uma operação militar além da fronteira e a aprovação de uma resolução americana de condenação do chamado "genocídio armênio" aumentaram a tensão entre Turquia e Estados Unidos.
Nação sem EstadoOs curdos formam um grupo étnico que vive no Oriente Médio espalhados pelo norte do Iraque, sudeste da Turquia e partes da Síria e do Irã. Falam a mesma língua e têm a mesma religião e costumes culturais. Apesar dessa região ser comumente chamada de Curdistão, o Estado independente curdo não existe. O tamanho dessa população é incerto, mas estima-se que esteja entre 27 e 36 milhões de pessoas.
Os curdos que vivem na Turquia tentaram sua independência com o fim do império Otomano, após o fim da Primeira Guerra Mundial, mas fracassaram. Durante todo o século 20, revoltas curdas foram esmagadas na Turquia e no Iraque, principalmente sob o domínio de Saddam Hussein.
(*Com informações da AFP e da Agência Estado)
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