15/10 - 15:46 - AFP

O presidente russo, Vladimir Putin, saiu em defesa nesta segunda-feira na Alemanha da necessidade de se prosseguir o diálogo com o Irã para que este país renuncie a seus planos nucleares, citando como exemplo o caso da Coréia do Norte.
Putin tem previsto partir nesta segunda-feira da Alemanha para o Irã, na que será a primeira visita de um chefe do Kremlin à República Islâmica desde a realizada por Josef Stalin em 1943. Uma viagem que Putin decidiu fazer apesar dos persistentes rumores que circulam sobre as ameaças de atentado contra ele durante sua estadia em Teerã. "Se levasse em consideração o que dizem os serviços de segurança, não sairia de casa", ironizou.
O presidente russo anunciou que trará à tona a questão do polêmico programa nuclear iraniano, apesar de se opor à imposição de sanções ao Irã.
"Pôr medo nos dirigentes ou no povo iraniano não funcionará. Eles não têm medo. Creiam: podemos e devemos dar mostras de paciência, buscar uma saída", declarou Putin numa entrevista coletiva depois de se reunir com a chanceler alemã, Angela Merkel, na localidade de Wiesbaden.
"Constatamos uma evolução positiva na península coreana. Ali demos mostra de paciência e buscamos soluções graduais. Achamos que se deve fazer o mesmo no que diz respeito ao programa nuclear iraniano", disse.
Com o acordo alcançado no final de setembro em Pequim, o governo norte-coreano se comprometeu a desmantelar antes de 31 de dezembro sua principal central e a proporcionar uma lista detalhada de seu programa atômico.
Rússia e China se opõem no Conselho de Segurança da ONU à imposição das novas sanções ao regime iraniano como exigem alguns países ocidentais que suspeitam que Teerã tenta fabricar armas atômicas.
Merkel, por sua vez, sugeriu a Putin que solicite "transparência" sobre seu programa nuclear e "respeito" às resoluções internacionais porque, segundo suas palavras, se as cumprir, terá que decretar novas sanções.
Putin e Merkel discutiram nesta reunião ocorrida na Alemanha o problema do Kosovo e as relações russo-americanas.
A Rússia, ao contrário dos ocidentais, apóia a Sérvia em sua oposição à independência de Kosovo, uma província de maioria albanesa. Também se opõe ao projeto americano de instalar um escudo antimísseis na Europa.
Putin insistiu na necessidade de que as relações de seu país com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a União Européia (UE) se desenvolvam de "igual apra igual" e garantiu que as próximas eleições legislativas e presidenciais russas respeitarão os princípios democráticos estipulados pela lei.
Por último, tanto Merkel como Putin, elogiaram as relações comerciais bilaterais entre seus países.
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