Bangcoc, 15 out (EFE).- O enviado especial da ONU para Mianmar (antiga Birmânia), Ibrahim Gambari, pediu, nesta segunda-feira, da Tailândia que a Junta Militar birmanesa ponha fim "imediatamente" às detenções de membros da oposição democrática.
Gambari disse aos jornalistas em Bangcoc, após sair de uma reunião com o ministro de Assuntos Exteriores tailandês, Nitya Pibulusonggram, que a perseguição de opositores feita pelo regime militar do país vizinho "vai contra o acordo alcançado entre a ONU e Mianmar".
Após reunir-se com o chanceler tailandês, Gambari encontrou-se com o primeiro-ministro interino do país, Surayud Chulanont, também para tratar da crise birmanesa.
Antes, Chulanont disse que seu Governo não empreenderá nenhum tipo de ação unilateral contra a Junta Militar, mas respaldará as iniciativas tomadas no marco da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), à qual pertencem Mianmar e Tailândia.
A Tailândia gasta anualmente cerca de US$ 2 bilhões na compra de gás natural birmanês, praticamente a metade do valor total das exportações de Mianmar.
Chulanont informou que qualquer medida do atual Governo interino criará problemas para o sucessor, que será escolhido nas eleições legislativas, previstas para 23 de dezembro.
Durante sua visita a Mianmar, Gambari encontrou-se com a líder da oposição e Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, que se encontra sob prisão domiciliar desde 2003 e com quem a Junta Militar se comprometeu a estabelecer canais de comunicação caso ela deixe de promover o boicote econômico e comercial da comunidade internacional.
No entanto, a organização pró-direitos humanos Anistia Internacional denunciou no sábado que soldados birmaneses continuam detendo os líderes dos protestos.
As autoridades de Mianmar admitiram que dez pessoas morreram durante a repressão das manifestações e que cerca de 2.700 manifestantes foram detidos.
No entanto, fontes da dissidência calculam que o número de mortos chega a 200 e que os detidos ultrapassam os 6.000.