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Enviado da ONU pede o fim das detenções feitas pela Junta Militar de Mianmá

15/10 - 10:06 - EFE

Bangcoc, 15 out (EFE).- O enviado especial das Nações Unidas para Mianmá (antiga Birmânia), Ibrahim Gambari, exigiu hoje que a Junta Militar birmanesa interrompa as detenções de opositores e pediu o apoio do Governo da Tailândia para resolver a crise no país vizinho.

Gambari iniciou na Tailândia uma viagem oficial por vários países da Ásia com a finalidade de obter respaldo à iniciativa da ONU de mediar entre o regime militar birmanês e a líder opositora Aung San Suu Kyi, em prisão domiciliar desde junho de 2003.

"Os relatos de detenções dos líderes estudantis, interrogatórios, e atos de intimidação são extremamente preocupantes e vão contra o espírito do acordo alcançado entre a ONU e Mianmá. Estas ações devem cessar imediatamente", disse Gambari em entrevista coletiva realizada em Bangcoc.

Apesar da repulsa internacional desencadeada pela violenta repressão das grandes manifestações pacíficas em favor da democracia, as autoridades militares birmanesas prosseguem com uma ampla campanha policial contra a oposição e os cidadãos que participaram dos protestos encorajados pelos monges budistas.

Pelo menos seis importantes dissidentes foram detidos durante as operações feitas no fim de semana pelas forças de segurança em Yangun e outras cidades do país.

"As Nações Unidas fazem um apelo ao Governo de Mianmá para pôr em liberdade todos os presos políticos, incluindo aqueles detidos durante as manifestações", afirmou o enviado especial da ONU.

As autoridades de Mianmá admitiram que dez pessoas morreram durante as operações e cerca de 2.700 manifestantes foram detidos, embora fontes da dissidência calculem que o número de mortos se aproxima de 200 e o de presos supere amplamente 6 mil.

"Estou mais preocupado com o que estão fazendo do que com o que dizem", afirmou Gambari, em alusão aos anúncios feitos pela Junta Militar nas últimas semanas sobre a disposição de estabelecer um diálogo com a Nobel da Paz e líder da Liga Nacional pela Democracia (LND), Suu Kyi.

O apelo de Gambari coincidiu com um novo aviso do regime militar, que, mediante um comentário publicado no jornal "Nova Luz de Mianmá", reiterou que está determinado a seguir os passos políticos previstos no plano que estabelecerá o que denomina "democracia vigiada".

"Derrubaremos os obstáculos e barreiras que existirem no caminho", ressaltou o anúncio publicado pelo órgão de propaganda que o Governo birmanês usa para enviar mensagens à comunidade internacional.

Como em ocasiões anteriores, os generais recorreram ao jornal estatal para acusar os países ocidentais de pretender instalar em Mianmá um Governo de acordo com os seus interesses geopolíticos.

"Mianmar está situado em uma área geográfica estratégica. É importante para os líderes das nações ocidentais transformar o país em um aliado. Por isso querem instalar um Governo sob sua influência", acrescentou a nota.

Gambari, que deve visitar Malásia, Indonésia, China, Índia e Japão, reuniu-se em Bangcoc com o primeiro-ministro interino da Tailândia, general Surayud Chulanont, e com o ministro de Assuntos Exteriores tailandês, Nitya Pibulsonggram.

"É importante buscar o apoio da região para que a ONU retorne o mais rápido possível a Mianmá com o propósito de oferecer sua assistência a qualquer tipo de diálogo entre a Junta Militar e a oposição democrática dirigido a conseguir a reconciliação nacional", disse Gambari.

China e Índia são os maiores aliados de Mianmar, enquanto Malásia e Japão estão entre os maiores investidores.

A Tailândia gasta anualmente cerca de US$ 2 bilhões na compra de gás natural birmanês, praticamente a metade do valor total das exportações de Mianmá.

Gambari confirmou que tem um convite oficial para visitar Mianmá em meados de novembro, mas disse que espera antecipar a viagem.

 

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