Washington, 12 out (EFE).- O Prêmio Nobel da Paz concedido nesta sexta-feira ao ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore realçou sua imagem internacional e reavivou no país os pedidos de seus seguidores para que ele tente novamente chegar à Casa Branca.
Na última quarta-feira, quando as expectativas da concessão do Nobel eram muito grandes, os membros da Campanha pela Candidatura de Gore publicaram um anúncio no jornal "The New York Times" pedindo sua volta à política.
O próprio Gore, através de seu porta-voz, Kalee Kreider, lembrou nesta semana que não tinha planos de se candidatar à Presidência, embora agradeça o pedido.
William Galston, pesquisador do Instituto Brookings, em Washington, e assessor de Gore na campanha presidencial de 2000, reconheceu também que "muitos democratas querem que ele se candidate. Mas Gore decidiu, firmemente, que não concorrerá à Presidência nesta eleição".
Galston afirma que o Nobel da Paz concedido hoje "não mudará o panorama político para as eleições presidenciais de 2008".
O especialista acredita que a campanha para que Gore retorne às urnas não reflete um descontentamento entre os democratas diante das atuais aspirações presidenciais, embora reconheça que, agora, o ex-vice-presidente conta com uma boa imagem.
"Para começar, muitos democratas acham que Gore ganhou a Presidência em 2000, mas que ele foi vítima de uma fraude", disse.
Acrescentou que "muitos democratas acreditam que Gore tem mais experiência, já que foi um vice-presidente muito ativo e adotou uma série de posições firmes, que foram criticadas, porém que ficaram marcadas na história".
Aos 59 anos e com boa saúde, Gore é um homem jovem que poderia se candidatar em 2008 pelo Partido Democrata, que aponta como candidata a senadora, representante de Nova York, e ex-primeira-dama Hillary Clinton.
Outro analista próximo a Gore, que quis manter o anonimato, se referiu às 136 mil assinaturas, que segundo o grupo de relações públicas de Gore, respaldaram o anúncio no "New York Times", que custou US$ 65 mil.
Segundo ele, "em um país com 300 milhões de pessoas, 136 mil assinaturas não é muito. Se houvesse 1,3 milhão delas, isso sim seria um chamado de atenção".
Gore foi senador pelo estado do Tennessee e depois vice-presidente dos EUA nos dois mandatos do democrata Bill Clinton.
Sua campanha presidencial de 2000 terminou em derrota para o republicano George W. Bush, em um controvertido processo de apuração, decidido pela Suprema Corte.
Dois anos após sua derrota eleitoral, Gore surgiu como porta-voz das preocupações com a mudança climática global, e em 2007 ganhou um Oscar por seu documentário "Uma Verdade Inconveniente".
Gore disse hoje que espera que o prêmio Nobel da Paz, que divide com o Comitê Intergovernamental sobre o Clima, órgão da ONU, aumente a conscientização global sobre a crise ambiental.
"Há um ditado africano: se quiser ir rápido, avance sozinho; se quiser ir longe, junte-se a outros", afirmou Gore em uma breve coletiva. EFE jab pb/mh