Brasília, 11 out (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que a saída do presidente do Senado, Renan Calheiros, foi a "solução para a crise" Senado nacional e comemorou o fato de que a solução tenha vindo do próprio órgão.
Lula assegurou que a saída, pelo menos por 45 dias de Calheiros, foi a solução para uma crise de cinco meses no Senado, após várias denúncias de corrupção contra o também presidente do Congresso.
"Sempre disse que a crise era do Senado e que a solução, então, deveria vir do Senado e foi assim que aconteceu", disse Lula, sem ampliar os comentários sobre a saída do líder do PMDB, partido que faz parte da coalizão do Governo.
O presidente, no entanto, negou que tivesse conversado com seu amigo e aliado do PMDB depois do anúncio da renúncia realizado em mensagem de dois minutos através da "TV Senado".
Lula sempre apoiou seu amigo nos 139 dias de crise, onde o presidente do Senado teve que enfrentar o Conselho de Ética e o plenário em diferentes processos por acusações de corrupção.
Calheiros foi acusado de receber dinheiro de uma empresa que participa de licitações públicas, de fraudes fiscais, de possuir meios de comunicação em seu estado natal através de testas-de-ferro e de mandar a "espionar" com fins de chantagem vários legisladores da oposição.
A denúncia que ganhou mais destaque foi a de supostamente pagar a pensão de uma filha com a jornalista Mônica Veloso através de uma das empresas supostamente beneficiadas com licitações públicas.
A mudança na Presidência do Senado não representará uma perda de espaços para o Governo, pois o cargo será ocupado pelo senador Tião Viana (PT-AC), do governista Partido dos Trabalhadores (PT), quem ocupa a Vice-Presidência da câmara.
O legislador esclareceu que, apesar de se separar da Presidência do Senado, se manterá ativo e se defenderá nos quatro processos com fins de cassação de seu mandato que ainda cursam contra si no Conselho de Ética do Senado.
Esse grupo parlamentar já recomendou sua cassação em um primeiro processo, mas Calheiros foi absolvido no Plenário, onde se impôs a maioria parlamentar que o oficialismo tem graças ao PMDB. EFE wgm ma