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IPCC, a máxima autoridade científica em mudança climática

12/10 - 07:38 - EFE

Oslo, 12 out (EFE).- O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) da ONU, premiado hoje com o Nobel da Paz junto com o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, foi criado em 1988 por proposta da Organização Mundial de Meteorologia (OMM) do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

A missão do Painel, presidido pelo indiano Rajendra Pachauri, consiste em avaliar a informação científica disponível sobre os efeitos das mudanças climáticas, destacar seus impactos ambientais e socioeconômicos e traçar estratégias para dar respostas adequadas ao fenômeno.

O IPCC está aberto a todos os países-membros do Pnuma e da OMM, e cada Governo conta com grupo para coordenar as atividades relacionadas com o Painel no país.

O próprio IPCC decide sua estrutura, princípios, procedimentos e programa de trabalho e elege seu presidente e os integrantes de sua mesa diretora.

Para a elaboração de suas publicações, o IPCC dispõe de três grupos de trabalho (GT-I, II e III) e de uma equipe especial para estoques nacionais de gases efeito estufa.

O GT-I avalia os aspectos científicos das mudanças climáticas, o GT-II examina a vulnerabilidade dos sistemas socioeconômicos e naturais frente ao fenômeno e o GT-III determina as opções para limitar as emissões de gases de efeito estufa.

Cada grupo de trabalho, assim como a equipe especial, possui dois presidentes, um de um país desenvolvido e outro de um país em desenvolvimento.

Desde sua criação, o IPCC elaborou Relatórios de Avaliação, Relatórios Especiais, Guias de Metodologia e Documentos Técnicos.

Os trabalhos do IPCC são uma referência amplamente utilizada tanto por responsáveis pela elaboração de políticas públicas na área do meio ambiente como por científicos, especialistas e estudantes de todo o mundo.

Os relatórios mais amplos são os de Avaliação, que constam de vários volumes e proporcionam vários dados sobre as mudanças climáticas, suas causas, efeitos e as possíveis respostas.

Desde 1988 o IPCC publicou três relatórios de Avaliação: em 1990, 1995 e 2001.

O Primeiro Relatório de Avaliação do IPCC (AR-1) foi publicado em Sundsvall (Suécia) em agosto de 1990 e confirmou cientificamente evidências que serviram de alerta para o fenômeno das mudanças climáticas.

Devido ao primeiro relatório, a Assembléia Geral das Nações Unidas decidiu preparar uma declaração de princípios que reconhece o problema e que entrou em vigor em março de 1994, chamada Convenção-Quadro sobre Mudanças Climáticas (UNFCC, em inglês).

Esse primeiro relatório do IPCC já refletia a necessidade de redução das emissões de CO2 em 60%-30% sobre os níveis de 1990 para obter a estabilização da concentração de gases efeito estufa na atmosfera, e se tornou um marco inicial para uma solução às mudanças climáticas.

O Segundo Relatório de Avaliação do IPCC (AR-2) foi publicado em Roma, em dezembro de 1995. Colaboraram mais de 2000 cientistas e especialistas em sua elaboração. O documento serviu de base para a formulação, dois anos mais tarde, do Protocolo de Kioto.

O segundo relatório insiste na luta contra o aquecimento da Terra; contempla a possibilidade de que se produzam "mudanças drásticas no clima" e adverte que poderiam ocorrer "riscos e surpresas" nesse sentido.

Já o Terceiro Relatório de Avaliação do IPCC (AR-3) foi publicado em Acra (Gana) em março de 2001 e representa o primeiro consenso científico global no tema, e segundo o qual a ação do homem é responsável pela alteração do clima mundial.

O relatório reúne os resultados de pesquisas realizadas por 900 especialistas em 420 sistemas físicos e biológicos.

Calcula em cerca de US$ 100 bilhões os danos anuais ocasionados pelos efeitos das mudanças climáticas e sugere que as políticas para o fim do fenômeno podem promover o desenvolvimento sustentável quando coerentes com amplos objetivos sociais. EFE am fr




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