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A revanche de Al Gore

12/10 - 10:38 - AFP

Ele queria ser presidente e acabou virando Prêmio Nobel da Paz: para Al Gore, o ex-vice-presidente dos Estados e candidato derrotado à Casa Branca, o prestigioso prêmio que lhe foi atribuído nesta sexta-feira tem, sem dúvida, um sabor de revanche.

Aos 59 anos, Gore parece ter virado a página de suas ambições políticas, apesar de seus partidários insistirem que ele se candidate às presidenciais de 2008. A pergunta agora é se um Nobel vai alterar esse quadro.

Depois do longo silêncio que se seguiu a sua suposta derrota para George W. Bush, Al Gore se consagrou ao que agora considera o objetivo de sua vida: a luta contra o aquecimento global.

Geralmente descrito como um trabalhador incansável e com grande moralidade, mas pouco carisma, sempre despertou dúvidas de que pudesse superar a imagem de "perdedor" que herdou depois da derrota para Bush.

No entanto, Al Gore soube se reinventar com uma paixão inusitada em função de sua nova causa.

Desde então, se envolveu a fundo na luta contra o aquecimento climático, popularizando a ameaça que este representa com seu documentário de sucesso "Uma verdade inconveniente".

O filme transformou Gore num astro e num homem público mais à vontade com o público, como se pôde ver quando a obra ganhou o Oscar de 2006 de melhor canção e melhor documentário.

Convertido no paladino da defesa do meio ambiente, cortejado pelos chefes de Estado de todo o planeta, Gore confirmou sua condição de 'star' junto a outros nomes da música pop nos show "Live Earth" de Washington e Nova York em prol da causa.

Gore conseguiu angariar um apoio em favor da Terra e pressionou os governos a adotar medidas drásticas para limitar as emissões de gás de efeito estuda.

Considerado o "ex-vice dos Estados Unidos mais simpático" vivo, ele afirma que se desencantou da política, onde os candidatos devem limitar sua mensagem a rápidas frases para os telejornais da noite.

Filho de um parlamentar que passou mais de 30 anos no Congresso, começou sua própria corrida política aos 28 anos, depois de uma breve passagem pelo jornalismo.

Eleito primeiro deputado do Tennessee, virou senador desse estado aos 36 anos e vice-presidente aos 44, depois de uma primeira tentativa fracassada de candidatura à presidência em 1988, quando não conseguiu a indicação democrata.

Todos os especialistas concordam em afirmar que ele fez a função do vice-presidente evoluir de um papel honorário para uma participação mais ativa e decisiva.

Nesse cargo sempre teve de impor seus conhecimentos em termos de meio ambiente e novas tecnologias, e foi por isso que Bill Clinton delegou a ele setores como as telecomunicações, o programa espacial e as relações com a Rússia.

Nas presidenciais de 2000 lutou em vão durante cinco semanas para conseguir a recontagem de votos em alguns condados da Flórida, o estado que decidiu a eleição presidencial. Não saiu vencedor, mas deu a volta por cima, enquanto que George W. Bush pouco a pouco foi perdendo sua popularidade.

Sua mulher, Tipper, com quem tem quatro filhos, está sempre a seu lado nos atos públicos.

bur-ms/cn-lm





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