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Saída de movimento partidário do governo aprofunda crise no Sudão

11/10 - 17:28 - EFE

NUR ZAKI CARTUM - O Movimento Popular de Libertação do Sudão (MPLS), que domina o sul do país, anunciou, nesta quinta-feira, sua saída do governo central, aprofundando a crise em um território que ainda não resolveu o conflito armado de Darfur, na região oeste.

A duas semanas da realização na Líbia de uma reunião entre o governo sudanês e os movimentos rebeldes de Darfur, com o objetivo de encontrar uma saída pacífica para os mais de quatro anos de conflito na região, o MPLS acusou o presidente sudanês, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, de esvaziar os poderes da vice-presidência, que é ocupada pelo líder do grupo, Silva Kir.

O impasse poderia frustrar as tentativas do governo sudanês de encontrar uma solução para o conflito de Darfur.

Principalmente em um momento em que vários analistas e personalidades internacionais, como o Prêmio Nobel da Paz sul-africano Desmond Tutu, consideram que para a obtenção da paz em Darfur é necessário o cumprimento dos acordos de paz no sul do país.

Tais acordos, assinados em Abuja em 2005, puseram fim a uma guerra de mais de duas décadas entre o norte de maioria árabe muçulmana e o sul cristão animista. O conflito teve como saldo mais de dois milhões de mortos.

O MLPS anunciou hoje, em comunicado, que não voltará ao Executivo de Cartum até que Bashir aceite suas reivindicações e que Kir recupere seus privilégios.

O comunicado foi emitido ao fim de uma reunião de emergência do conselho político do MPLS em Juba, principal cidade do sul do Sudão, onde as relações tensas entre o partido e o presidente Bashir foram o tema central.

O texto do MPLS diz que a incapacidade do Partido do Congresso Nacional (liderado por Bashir) de resolver assuntos como a reconciliação nacional, a retirada das tropas da ONU no sul do Sudão e a democratização do país são algumas das principais razões que motivaram a decisão.

"O MPLS não voltará ao governo a menos que suas reivindicações sejam atendidas", diz o documento.

O enviado especial dos EUA para o Sudão, Andrew Natsios, lançou nesta mesma semana um alerta devido às crescentes tensões entre as duas regiões, com o temor de um possível conflito militar.

"A cooperação política entre o MPLS e o Partido do Congresso Nacional chegou ao fim pela incapacidade do Governo em cumprir com as obrigações do acordo de paz", afirmou um porta-voz do MPLS, que também não descartou "hostilidades militares a menos que alguns pontos do armistício sejam postos em prática".

Enquanto isso seguem em Cartum os contatos entre o Executivo sudanês, a ONU, a União Africana (UA) e vários países vizinhos com o objetivo de preparar a reunião entre os rebeldes de Darfur e o Governo, prevista para o próximo dia 27 na Líbia.

No entanto, essas conversas vêm também acompanhadas de denúncias de ataques e enfrentamentos entre o Exército sudanês e os grupos rebeldes de Darfur, dando contornos de tensão às semanas prévias à reunião e fazendo com que órgãos internacionais temam pelo fracasso da cúpula. 

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