11/10 - 16:08, atualizada às 20:07 11/10 - AFP

A crise humanitária se agravou nos últimos meses no Iraque, advertiu nesta quinta-feira a ONU em um relatório sobre os direitos humanos no país assolado pela guerra e onde a situação de milhões de pessoas é "crítica".
A advertência foi emitida num momento em que oito pessoas, entre as quais dois policiais, foram mortas num atentado com carro-bomba contra um chefe da polícia de Kirkuk (norte do Iraque). A explosão também deixou 48 feridos.
A ONU exortou os Estados Unidos e outros países a processar seus cidadãos que trabalham em companhias de segurança privadas no Iraque e se envolveram em atos de violência no país.
Terça-feira, duas iraquianas foram mortas em Bagdá por agentes estrangeiros de uma empresa ocidental, a URG, que garante a proteção de duas ONG ligadas ao governo americano.
Segundo o relatório sobre os direitos humanos apresentado em Bagdá pela missão da ONU no Iraque, "a vida dos iraquianos segue muito precária".
O relatório denuncia "a violência cega cometida em lugares públicos, para matar o maior número de pessoas possível e criar o caos, e a perda de qualquer aparência de controle do governo".
O governo iraquiano, que tem que lidar com "uma violência incessante, uma contínua oposição a sua autoridade e uma situação humanitária que se agrava", parece incapaz de impedir uma nova deterioração da situação, explicou o porta-voz da missão da ONU, Said Arikat.
"Os esforços do governo em encontrar uma solução para o deslocamento forçado das pessoas são insuficientes", acrescentou o porta-voz.
O relatório cita os 2,2 milhões de iraquianos que fugiram para o exterior e os dois milhões de deslocados forçados dentro do país. A maioria deles enfrenta dificuldades para se alimentar, se alojar, trabalhar e ter acesso aos serviços de saúde.
De acordo com Said Arikat, a situação está "dramática" nos campos onde se amontoam estes deslocados. "Falta tendas, água e comida. A situação está crítica, e tende a piorar", avisou.
Além disso, disse a ONU, o ritmo das detenções excedeu a capacidade do sistema de garantir um acompanhamento judiciário adequado para os prisioneiros. Segundo as Nações Unidas, havia no fim de junho 44.325 prisioneiros no Iraque, esperando seu julgamento ou já condenados.
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| Família em barraca de acampamento no Iraque |
Em menos de um mês, dois tiroteios em Bagdá provocaram a morte de 19 iraquianos. Duas companhias estrangeiras de segurança, a americana Blackwater e a australiana URG, são acusadas de terem iniciado esses tiroteios.
Além disso, uma associação americana de defesa dos direitos humanos anunciou nesta quinta-feira a entrega de uma queixa contra a Blackwater, em nome de um sobrevivente e de várias famílias de vítimas.
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