11/10 - 13:47, atualizada às 14:45 11/10 - Agência Estado

Representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) no Iraque anunciaram hoje que investigarão a possibilidade de agentes de segurança privados estrangeiros terem cometido crimes contra a humanidade no país árabe. O anúncio foi feito durante a apresentação, em Bagdá, do novo relatório trimestral da missão assistencial da entidade no Iraque.
"Para nós, trata-se de uma questão de direitos humanos", declarou Ivana Vuco, uma agente da Missão Assistencial da ONU no Iraque. "Nós monitoraremos as alegações de homicídios cometidos por agentes de segurança e veremos se crimes de guerra e contra a humanidade foram cometidos", prosseguiu ela.
Said Arikat, porta-voz da missão da ONU, pediu ao governo americano que torne os agentes a serviço de companhias privadas envolvidos em assassinatos indiscriminados de iraquianos "sujeitos ao império da lei, e que as regras de engajamento sejam aplicáveis e eles possam ser processados".
Ao contrário dos soldados regulares, os agentes privados em ação no Iraque não são obrigados a obedecer, por exemplo, o código de conduta militar, o que cria um limbo jurídico quanto à possibilidade de julgamento. Uma lei imposta pela autoridade de ocupação americana antes de a soberania iraquiana ser restaurada garante imunidade às empresas de segurança privada que atuam no Iraque.
O relatório divulgado hoje abrange o período de 1º de abril a 30 de junho. O documento adverte que a dependência cada vez maior de grupos de escolta armada prejudica a distinção entre civis e combatentes no país. A ONU observou no período diversas denúncias de "envolvimento de agentes privados de segurança a serviço de funcionários do governo dos EUA em incidentes com mortes".
No caso mais recente, agentes da empresa de segurança australiana Unity Resources Groups mataram duas cristãs a bordo de um carro depois de elas aparentemente não terem respondido a advertências para que parassem o veículo na terça-feira.
Em 16 de setembro, no caso mais notório, agentes da companhia americana Blackwater abriram fogo numa praça de Bagdá e mataram 17 civis iraquianos. A empresa alega que seus agentes estariam respondendo a um ataque armado, mas investigações revelaram que eles abriram fogo a esmo contra civis sem motivo aparente.
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