09/10 - 16:35 - AFP

O único movimento de Darfur que assinou a paz com o governo sudanês ameaçou, nesta terça-feira, retomar as armas e acusou as forças governamentais de ter matado mais de 50 pessoas, em maioria civis, numa operação nesta região do oeste do Sudão.
"De acordo com um último balanço, 48 civis foram mortos na cidade" de Mohajiriya em Darfur, declarou à AFP Seifeddin Harun, porta-voz do Movimento de Libertação do Sudão (SLM). Quatro combatentes do movimento, que controla a cidade, também faleceram.
O número de vítimas civis não pôde ser verificado com fontes independentes.
Arku Suleiman Dhahia, "chefe de estado-maior" do Exército de Libertação do Sudão (SLA), o braço armado do SLM, confirmou o balanço, e ameaçou retomar as armas contra as forças governamentais em caso de novo ataque.
"A partir de agora, nosso movimento não ficará de braços cruzados diante de tais ataques. Se isso se repetir, voltaremos à estaca zero, que é a guerra, e ela será pior que antes de 2006", ano em que foi assinado o acordo de paz, ameaçou Dhahia.
O chefe do SLA deu a entender que o balanço do ataque, que o governo central de Cartum ainda não comentou, poderia se agravar, mencionando "muitos feridos e desaparecidos".
Segundo Harun, os civis morreram tanto nos bombardeios aéreos quanto nas operações conduzidas pelo exército e seus aliados, as milícias árabes dos janjawids, nesta cidade perto da fronteira com o Chade.
"Cinco idosos foram retirados de uma mesquita e executados, e cinco crianças estão entre os mortos", afirmou.
O ataque foi confirmado em termos prudentes pela missão da ONU no Sudão (UNMIS), que disse que "segundo informações iniciais, enfrentamentos foram registrados no dia 8 de outubro dentro e em volta de Mohajiriya entre o SLA e o que parecem ser milícias tribais".
"Não há nenhuma informação comprovada sobre as circunstâncias dos combates ou eventuais perdas humanas", acrescentou a UNMIS, sem mencionar a participação das forças armadas sudanesas.
Oficialmente, somente o governador do estado de Darfur Sul, Ali Mahmud, se referiu ao ataque, que atribuiu a "beduínos árabes e rebeldes".
Harun acusou o governo de multiplicar os ataques antes das negociações de paz na Líbia, previstas para o dia 27 de outubro sob a supervisão da União Africana e da ONU, e de tentar pressionar os rebeldes.
Uma das facções que não assinaram o acordo de paz, o Movimento pela Justiça e a Igualdade (JEM), confirmou sua participação das negociações na Líbia, mas pediu que Cartum seja pressionada para acabar com os ataques em Darfur.
A ONU expressou sua preocupação com o aumento da violência, a três semanas das negociações de paz.
O objetivo destas negociações é pôr fim a um conflito que deixou em mais de quatro anos cerca de 200 mil mortos, segundo organizações internacionais.
Cartum contesta este número e admite apenas nove mil mortos.
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