08/10 - 08:34 - AFP

O prêmio Nobel de Medicina de 2007 foi concedido a dois americanos, Mario Capecchi e Oliver Smithies, e um britânico, Martin Evans, por seus trabalhos sobre células-tronco, anunciou o comitê Nobel em Estocolmo. O trabalho dos três sobre a criação de ratos transgênicos abriu um novo horizonte para as pesquisas de doenças como o Alzheimer e o câncer.
Os estudos de Capecchi, Smithies e Evans permitiram descobrir como manipular geneticamente células-tronco embrionárias de ratos, destacou o comitê Nobel em um comunicado. "As descobertas se aplicam atualmente em quase todos os campos da biomedicina, desde a pesquisa fundamental ao desenvolvimento de novas terapias", acrescenta o texto.
O trabalho dos três cientistas possibilitou o desenvolvimento de uma técnica de modificação de genes conhecida como "knock-out" de genes, ou seja, sua neutralização. Para o comitê Nobel, as descobertas dos dois americanos e do britânico "permitiram desenvolver uma tecnologia de imensa importância".
Os ratos geneticamente modificados representam para os cientistas modelos de laboratório excepcionais que permitem estudar as bases de doenças que vão desde o mal de Alzheimer ao câncer, assim como a resposta a novos medicamentos.
Até o momento foram isolados mais de 10 mil genes de rato, aproximadamente metade dos que compõem o genoma dos mamíferos.
Capecchi nasceu em 1937 na Itália e Smithies na Grã-Bretanha em 1925. Eles se conheceram nos Estados Unidos, onde ambos adotaram a nacionalidade americana. Os dois tiveram a idéia de que era possível reparar os genes utilizando um método denominado de "recombinação homóloga".
Capecchi é professor de genética humana e biologia na Universidade do Estado de Utah em Salt Lake City. Smithies é professor de patologia e medicina na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill. O britânico Martin Evans, nascido em 1941, é professor de genética na Universidade de Cardiff. Como recebeu a condição de nobreza possui o título de Sir Martin. Suas pesquisas também são centradas nas células-tronco embrionárias dos ratos.
Ano passado, os americanos Andrew Fire e Craig Mello receberam o Nobel de Medicina pela descoberta de um mecanismo que permite calar os genes e combater os agentes infecciosos, proporcionando assim uma ferramenta de pesquisas intensivas sobre as doenças humanas.
Eles descobriram um mecanismo natural de bloqueio dos genes, denominado "interferência RNA (RNAi)" (ácido ribonucleico).
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