01/10 - 12:52 - AFP

O presidente Rafael Correa, que se autoproclamou vencedor na eleição de domingo por ter alcançado a maioria absoluta na Assembléia Constituinte no Equador, ficará, caso se confirmem os resultados, com o caminho livre para dissolver o Congresso de maioria opositora e reformar a Constituição.
Apoiado em números extra-oficiais de dois organismos, o presidente disse ter alcançado uma "vitória incontestável" depois de uma votação em que, segundo ele, a situação se impôs com folga sobre a debilitada oposição.
"Se as projeções estiverem certas, teremos 80 assentos dos 130 em disputa", afirmou Correia destacando que o processo eleitoral foi "limpo, democrático, eficiente e transparente".
Se a tendência for confirmada, o governante de 44 anos terá obtido sua terceira vitória eleitoral consecutiva desde que chegou ao poder em novembro de 2006. Em abril, uma maioria histórica aprovou a consulta que Correa promovia para aprovar a Constituinte de plenos poderes.
O ministro do Interior, Gustavo Larrea, disse nesta segunda-feira que este controle absoluto da situação na Assembléia consolidará a unidade da América do Sul sem a "idéia sectária" de um eixo de esquerda contra os Estados Unidos.
"Estamos liderando a Unasur (União de Nações Sul-Americanas) e acreditamos que é necessário consolidá-la; participamos nos planos do Banco Sul e o resultado de domingo consolida esta tarefa, mas não a idéia sectária que tenta nos estigmatizar como um eixo de esquerda", completou.
No entanto, as forças opositoras ainda não reconheceram a vitória da situação e disseram que esperam o veredicto do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que prevê um primeiro anúncio em 11 de outubro.
De acordo com pesquisa de uma empresa de consultoria próxima ao governo, a oposição teria conseguido 18 assentos.
"Nossas projeções apontam que conseguimos entre 33 e 39 cadeiras", discorda o dirigente do Partido Sociedade Patriótica (PSP), que se disse "emocionado" pelo apoio recebido apesar de uma campanha que descreveu como "desigual".
A mesma pesquisa anunciou que o movimento de Correa conquistou entre 76 e 79 do total das cadeiras, o que daria uma maioria absoluta frente aos partidos de oposição, em estimativas que apresentam margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Enquanto isso, números parciais da ONG Participação Cidadã confirmou a conquista eleitoral do Executivo, com pelo menos 70 das 130 cadeiras disputadas, no cômputo de 83,8% do total dos votos.
Correa - que se alinha ao ideal do "socialismo do século XXI" defendido pelo venezuelano Hugo Chávez - anunciou que "cumprirá" com o mandato do eleitorado e "dissolverá o Parlamento" por considerá-lo "corrupto e incompetente".
"O Congresso não funcionará", afirmou o presidente equatoriano.
Segundo o presidente, o Legislativo será substituído por uma comissão formada pela Assembléia enquanto termina de se redigir a 20ª Carta Política do Equador e se convoca novas eleições.
Durante sua campanha, Correa prometeu uma Constituição que reforce o controle estatal sobre a economia e que tire do Congresso o poder de destituir presidentes, depois de uma crise política que impediu seus três antecessores de terminarem seu mandato.
No discurso de vitória, descartou um "projeto totalitário ou um projeto estrangeiro", diante das críticas dos opositores que o vinculam ao processo socialista se deu amigo Chávez.
O sociólogo Herman Reyes, da Universidade Simón Bolívar, considerou que, confirmadas as estimativas, Correa terá mãos livres para "planejar tranqüilamente a arquitetura do Estado sob um novo modelo econômico".
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