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Ahmadinejad é recebido como “cruel e insignificante ditador” em universidade

24/09 - 15:57, atualizada às 18:05 14/10 - Redação com agências internacionais

NOVA YORK – O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad subiu ao palco da Universidade Columbia depois de uma intensa introdução feita pelo presidente da universidade, que disse que o líder linha-dura agia como um “cruel e insignificante ditador”.

 

Ahmadinejad sorria enquanto o presidente da Columbia Lee Bollinger questionava sobre o histórico do país em relação aos direitos humanos e política externa, assim como as declarações do presidente iraniano negando o Holocausto e pedindo pelo desaparecimento de Israel.

“Senhor presidente, você tem todos os sinais de um “ditador cruel e insignificante”, disse Bollinger, em meio a aplausos.

Ele disse que a negação de Ahmadinejad ao Holocausto é ignorante. “Quando você vem a um lugar como esse, fica simplesmente ridículo”, disse Bollinger. “A verdade é que o Holocausto é o evento mais documentado da história humana”.

Depois de uma oração religiosa, Ahmadinejad disse que a introdução de Bollinger era "um insulto ao conhecimento dessa audiência". Ele também lamentou o fato de o tempo dedicado à leitura do texto ter sido "maior" que o concedido a ele para falar, após o que foi fortemente aplaudido por parte do auditório.  

"Houve insultos e alegações incorretas, infelizmente", disse Ahmadinejad, acusando Bollinger de dar um "tratamento não amigável" sob a influência da mídia e dos políticos dos EUA.

Ele não se dirigiu diretamente às acusações de Bollinger, mas deu um longo discurso religioso com frases do Alcorão antes de começar as críticas à administração do presidente dos EUA George W. Bush e de governos americanos anteriores, desde escutas telefônicas ilegais até as bombas de Hiroshima e Nagasaki.

Bollinger foi muito criticado por convidar Ahmadinejad à Columbia e prometeu fazer questões duras em sua introdução ao discurso de Ahmadinejad. Mas a natureza pessoal e rude de seu ataque ao presidente do Irã foi impressionante.

"Ou você é ousadamente provocador ou muito ignorante", Bollinger disse para Ahmadinejad sobre a negação do Holocausto feita pelo líder. "Você irá parar com esse absurdo?"

Ahmadinejad disse que só queria mais pesquisas sobre o Holocausto, que ele alega foi abusado como justificativa para o tratamento israelense aos palestinos.

"Por que o povo palestino paga por um fato que não teve nada a ver?" perguntou Ahmadinejad. Ele acabou com suas declarações escritas com um sorriso, em meio a aplausos e vaias, antes de começar a responder questões do auditório.

Segundo a CNN, ele não conseguiu responder com um "sim" ou "não" quando perguntaram se buscava a destruição de Israel. Ahmadinejad disse que o status de Israel deveria ser determinado por eleições livres.

AFP
Ahmadinejad na Universidade Columbia

"Deixe o povo do Palestina escolher livremente o que eles querem para seu futuro", disse.

Quando perguntaram sobre os abusos do governo a mulheres e homossexuais em seu país, o presidente disse "nós não temos homossexuais no Irã. Eu não sei quem disse isso para você".

Depois de sua afirmação, Ahmadinejad foi confrontado com números da Anistia Internacional, sugerindo que 200 pessoas foram executadas no Irã este ano, entre eles homossexuais.

"Vocês não têm a pena capital nos Estados Unidos? Nós também. No Irã existe a pena capital", justificou.

Ahmadinejad repetiu várias vezes que as mulheres têm liberdades no Irã e se recusou a comentar os relatórios que comentavam as restrições à elas.

O presidente disse que o Irã questiona "a maneira que o mundo está sendo administrado atualmente", mas que manteria um diálogo com o governo dos EUA "sob circunstâncias justas e corretas".

No fim de sua conversa na Universidade Columbia, ele convidou os funcionários e estudantes a visitarem qualquer universidade que eles gostassem no Irã.

Bush disse que a presença de Ahmadinejad na universidade "mostra a real grandeza dos EUA".

O presidente americano falou para o canal Fox News que se Bollinger considera a visita de Ahmadinejad como sendo uma experiência educativa para os estudantes da Columbia, "eu acho que está tudo bem para mim".

Visita aos EUA

O presidente iraniano chegou nesta segunda-feira aos EUA e deve falar na terça-feira na 62ª Assembléia Geral da ONU.

As tensões diplomáticas entre Washington e Teerã subiram nos últimos meses com as acusações norte-americanas de que o país tenta desenvolver armas nucleares e ajuda milícias xiitas iraquianas a atingir tropas estadunidenses. O Irã nega todas as acusações.

Estudantes protestam contra ação no Irã
Estudantes protestam contra ação no Irã
Antes de deixar seu país, Ahmadinejad disse que os norte-americanos não têm tido acesso a "informações corretas" e que sua visita dará a eles a chance de ouvir uma "voz diferente".

O presidente iraniano causou polêmica também ao anunciar que pretendia visitar o Marco Zero dos atentados de 11/09, em Nova York. A polícia da cidade proibiu a visita e o presidente dos EUA, George W. Bush disse "não haver razão em um líder de uma nação que patrocina o terror visitar o local".

(*Com informações das agências AP e AFP)

 

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