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Musharraf manda prender opositores que anunciaram boicote à sua reeleição

23/09 - 12:31 - EFE

Amir Mir Lahore (Paquistão), 23 set (EFE) - A Polícia paquistanesa deteve hoje de forma "preventiva" vários líderes da oposição que disseram que boicotariam o pleito presidencial de 6 de outubro para evitar a reeleição do presidente do país, o general Pervez Musharraf.

As detenções ocorrem às vésperas de uma audiência na qual a Suprema Corte vai tomar uma decisão sobre os planos de Musharraf de obter um novo mandato presidencial sem deixar a chefia do Exército, o que é criticado por vários grupos opositores.

Entre os detidos estão o presidente interino da Liga Muçulmana, Javed Hashmi, e dois líderes da aliança islamita Muttahida Majlis-e-Amal (MMA), um dos quais é seu vice-secretário-geral, Hafiz Hussain Ahmed.

Hussain Ahmed é um dos homens fortes do partido Jamiat Ulema-e-Islam (JUI), principal força da MMA, e, desde esta madrugada, está em prisão domiciliar em seu alojamento no Parlamento, informou o próprio político à rede de televisão "GEO TV".

A notícia de que as estalagens do Legislativo em Islamabad estavam sendo isoladas no sábado à noite e que as primeiras detenções estavam sendo feitas levou outros líderes opositores, como o presidente da MMA, Qazi Hussain Ahmed, a fugirem da Polícia durante a madrugada.

Segundo fontes citadas pela imprensa paquistanesa, foram emitidas ordens de detenção contra dezenas de dirigentes do Movimento de Partidos Democráticos (APDM, na sigla em inglês), uma coalizão de grupos opositores cujo objetivo declarado é impedir a reeleição do general.

Num comunicado, as autoridades policiais de Islamabad disseram que as detenções são "preventivas", durarão até um mês e foram decididas em resposta às "convocações" de protestos em frente a pontos "sensíveis" da capital feitas por "certos partidos políticos".

Para amanhã, por exemplo, o APDM convocou uma manifestação na frente da sede do Supremo, a primeira de uma série de protestos contra a reeleição de Musharraf.

Já como boicote, os legisladores do movimento nas assembléias central e provinciais do país, as encarregadas de eleger o novo presidente, apresentarão sua renúncia coletiva no dia 29.

Apesar do anúncio oficial de boicote à eleição presidencial feito na última sexta em Islamabad por um líder do APDM, a imprensa revelou nos últimos dias fortes divergências internas que existiriam no movimento.

A edição de hoje do jornal "The News" indica que o líder do JUI, o clérigo Fazlur Rahman, que está de visita à Arábia Saudita, está fazendo jogo duplo para enfraquecer o movimento opositor.

Rahman deixou evidente sua divergência em relação a algumas das decisões tomadas pelo APDM, apesar de Hussain Ahmed afirmar que, antes da reunião na qual o boicote eleitoral foi anunciado, havia acertado seu posicionamento com ele numa conversa por telefone.

O "maulana" (mestre) Fazlur "sempre foi considerado um homem do Governo disfarçado de líder opositor", segundo o "The News", que sustenta que o clérigo "deu as mãos" à ex-primeira-ministra Benazir Bhutto para "apunhalar a oposição pelas costas", seguindo diretrizes dos Estados Unidos.

No Paquistão, ninguém acredita no anunciado fracasso das negociações entre o regime de Musharraf e a exilada Bhutto, que disse que voltará ao Paquistão no dia 18 de outubro, assim que tiver resolvido se concorrerá ou não à Presidência.

Segundo a imprensa, Fazlur iria se reunir neste fim de semana na Arábia Saudita com o ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif (PML-N), exilado no país, para convencê-lo a não levar adiante a renúncia de seus deputados e senadores ou a limitar o protesto aos legisladores do Parlamento central.

A renúncia dos opositores nas assembléias provinciais deixaria o JUI sem o controle da Província da Fronteira do Noroeste (NWFP) e de Baluchistão, que fazem divisa com o Afeganistão.

A eleição do presidente será feita no Parlamento central, com a mesma formação que confirmou Musharraf no poder em 2002 - com o voto da então aliada MMA - após o golpe de Estado que o general deu em 1999 contra Sharif.

Até agora, nenhum partido da oposição apresentou candidato à Presidência, enquanto o primeiro-ministro, Shaukat Aziz, disse no sábado que Musharraf entregará sua candidatura no dia 27 e se mostrou certo de sua vitória com o voto dos legisladores da coalizão governista. EFE am-ja db/sc




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