19/09 - 11:51, atualizada às 10:12 21/09 - Redação com agências internacionais
SÃO PAULO - Uma bomba em um bairro cristão, em uma área metropolitana a leste de Beirute, a capital do Líbano, matou o deputado Antoine Ghanem, de 64 anos, do partido governista cristão "A Falange", nesta quarta-feira. Até agora, outras quatro pessoas foram dadas como mortas e 22 estão feridas, de acordo com fontes oficiais.
A morte do parlamentar acontece seis dias antes do parlamento libanês se reunir para escolher o próximo presidente do país. Ghanem fazia parte do partido de direita anti-sírio que apóia o premiê Fouad Siniora. Sem o deputado, o governo detém 68 dos 128 assentos do parlamento.
"É muito claro. Parlamentares anti-sírios estão sendo dizimados", acusou o ministro Ahmed Fatfat.
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| Soldado ajuda nos resgates |
O líder da "Falange" e ex-presidente do país, Amin Gemayel, disse que a democracia libanesa está em risco. " As eleições não estão mais em pauta. É uma questão de sobrevivência para a democracia deste país, que agora corre risco", disse à CNN. O filho dele, Pierre Gemayel, foi morto em novembro do ano passado.
A explosão
A explosão danificou alguns edifícios nos arredores da área atingida. Testemunhas no local viram vários carros pegarem fogo. Fogo e fumaça se espalharam sobre os destroços.
Especialistas em explosivos remexeram o motor do carro do deputado, o qual vou cerca de 50 metros com a força da explosão.
A agência de notícias "ANN" informou que o corpo do deputado foi levado a um hospital libano-canadense situado no mesmo bairro. A identidade dos outros mortos ainda é desconhecida.
Série de mortes
Ghanem foi o oitavo político libanês morto nos últimos dois anos. A maioria deles era anti-Síria.
A Síria condenou o ataque. Um porta-voz de Damasco qualificou a explosão como algo que sabota a democracia libanesa.
Em junho, o deputado Walid Eido foi morto em um ataque.A morte mais impactante aconteceu em 2005, quando o ex-premiê Rafic Hariri também foi assassinado em um atentado.
Relação entre Síria e Líbano
Os governos sírios sempre consideraram o Líbano parte de uma “Grande Síria”. Eles argumentam que o Líbano foi separado da província otomana da Síria pela França, a potência colonial que passou a controlar o território dos dois países depois da Primeira Guerra Mundial.
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| A explosão deixou cinco mortos em Beirute |
As tropas sírias realizaram uma intervenção na guerra civil libanesa em 1976. No seu ápice, o número de soldados sírios no Líbano chegou a 30 mil. A guerra civil no Líbano acabou em 1990, mas as forças sírias continuaram no país.
A morte de Hariri levou a amplos protestos que levaram a Síria a retirar suas tropas do Líbano. Um governo anti-Sírio foi eleito. O premiê Fuad Siniora tem uma pequena maioria no Congresso e enfrenta a oposição do grupo radical islâmico Hezbollah. Aliados de Siniora dizem que a Síria tenta reverter a maioria governista matando os deputados da base.
(*Com informações da Reuters, da BBC e da AP)
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