Guatemala, 9 set (EFE).- As eleições gerais na Guatemala correram normalmente hoje, com elevada participação do eleitorado, após um período de campanha marcado pela violência.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Oscar Bolaños, disse à imprensa local que, ao meio-dia (horário local), a participação eleitoral chegava a 53%.
"Vamos quebrar o recorde de comparecimento", assegurou Bolaños.
Segundo as últimas pesquisas, pode haver um empate técnico entre o social-democrata Alvaro Colom e o general reformado Otto Pérez Molina.
O chefe da missão de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA), o peruano Diego García-Sayán, também disse à agência Efe "que as eleições estão ocorrendo em um ambiente de tranqüilidade e normalidade exemplar".
Em seu primeiro relatório sobre o desenvolvimento do pleito, a OEA ressaltou que "o processo eleitoral se iniciou normalmente" nos 22 departamentos do país.
As autoridades da Guatemala não informaram até o momento sobre o registro de nenhum incidente violento.
Em diversos colégios eleitorais, no entanto, cidadãos desistiam de votar depois de não encontrarem seus nomes nas listas, sendo obrigados a encarar longas filas nos escritórios do TSE para verificar e atualizar seus dados de identidade.
Após votar, o presidente da Guatemala, Oscar Berger, afirmou que a democracia em seu país está "amadurecendo", e que muito em breve será "um modelo para o mundo".
Um dos favoritos na luta pela Presidência, o social-democrata Alvaro Colom, empresário de 56 anos e candidato pela União Nacional da Esperança (UNE), expressou sua satisfação com o curso das eleições, e mostrou-se convencido da vitória.
"Vamos ganhar", disse à imprensa, no colégio eleitoral onde votou.
O outro favorito, o general reformado Otto Perez Molina, de 58 anos, candidato do direitista Partido Patriota (PP), também expressou sua confiança na vitória.
"Esperamos o melhor para o partido. Acho que o trabalho que fizemos foi muito bom, e agora só nos resta esperar pelos resultados. Estamos confiantes de que serão favoráveis", declarou o ex-militar.
A líder indígena e Prêmio Nobel da Paz, Rigoberta Menchú, candidata pelo partido esquerdista Encontro pela Guatemala (EG), também votou na capital do país, e fez um chamado "às mulheres e a todos os jovens, para que façam destas eleições um ato cívico, pacífico, sem violência e sem agressões".
Menchu, que pretende representar a população indígena do país (42%) com sua candidatura, conta com cerca de 3% da preferência eleitoral, segundo as pesquisas de opinião.
As mesmas pesquisas prevêem um empate técnico entre Colom e Perez Molina, o que forçaria a realização de um segundo turno, programado para o dia 4 de novembro.
Cerca de 5,9 milhões de guatemaltecos foram convocados às urnas para escolher o presidente e o vice-presidente da Guatemala, além de 158 deputados e 332 prefeitos.
Participam das eleições 21 partidos políticos e 14 candidatos presidenciais. O pleito foi precedido por quatro meses de campanha, durante os quais pelo menos 50 candidatos e ativistas políticos foram assassinados.
Muitos dos locais de votação, especialmente na capital, estão situados em bairros controlados pelo crime organizado, segundo as autoridades do país.
A segurança do processo eleitoral está a cargo de 19.500 agentes da Polícia Nacional Civil (PNC) e de 11 mil soldados, que, de acordo com as leis do país, não podem votar. EFE av bba/gs