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Líderes do Apec defendem melhor uso de energia e reflorestamento

08/09 - 09:17, atualizada às 12:46 08/09 - EFE

SIDNEY (Austrália) - Os líderes dos 21 países do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) aprovaram neste sábado a proposta australiana para combater o aquecimento global através do reflorestamento e do uso mais eficiente da energia.

A China e os Estados Unidos são os países que mais emitem gases que intensificam o efeito estufa, que contribui para o aquecimento global.

Enquanto os líderes examinavam a proposta do primeiro-ministro australiano, John Howard, cerca de dez mil pessoas protestavam em outro ponto de Sidney contra a política ambiental adotada por alguns países.

Nas manifestações, dois policiais ficaram feridos e 17 pessoas foram detidas hoje, onze delas acusadas de crimes menores.

Os protestos ocorreram em um ambiente festivo e, no geral, ocorreram sem violência, mas houve momentos de tensão e alguns distúrbios com os agentes, disse o assistente do diretor da Polícia do estado de Nova Gales do Sul, Dave Owens.

Os manifestantes, cerca de dez mil segundo os organizadores e três mil de acordo com a Polícia, foram recebidos e vigiados com um enorme esquema de segurança.

Na Declaração de Sydney, os dirigentes reiteraram "a importância de melhorar a eficiência no uso da energia em toda a região do Apec, para reduzir a intensidade energética em pelo menos 25% até 2030".

A intensidade energética é a relação entre o consumo de energia e o Produto Interno Bruto (PIB).

O documento foi aprovado pelos líderes com caráter de urgência para que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pudesse assiná-lo antes de voltar a Washington.

Segundo o documento, haverá um esforço de trabalho "para alcançar o objetivo de um aumento da superfície de florestas na região (do Apec) em pelo menos 20 milhões de hectares de todo tipo de vegetação até 2020".

Segundo a proposta da Austrália - que, assim como os Estados Unidos, assinou mas não ratificou o Protocolo de Kioto -, se o objetivo for alcançado, será possível "armazenar cerca de 1,4 bilhão de toneladas de dióxido de carbono (CO2), o equivalente, aproximadamente, a 11% das emissões globais" por ano.

"É uma importante base para conseguir um acordo internacional sobre a mudança climática", disse Howard, que, segundo pesquisas de opinião, perderá as eleições gerais que devem ser convocadas até o final do ano na Austrália.

A declaração foi assinada após quatro dias de intensas negociações entre as 21 delegações do grupo. O objetivo era alcançar um pacto conveniente para as economias industrializadas, como as da Austrália e dos EUA, e para as menos desenvolvidas, como a Indonésia.

Novas tecnologias, e em particular recursos e produção com emissões baixas ou nulas de CO2, serão cruciais para alcançar uma "redução real de emissões", destaca o documento do Apec.

Howard afirmou que a aprovação da Declaração de Sidney sobre a mudança climática mostra que o Apec "está vivo e que o sistema do consenso funciona".

Segundo ele, a acordo "deixa preparado o terreno para a reunião que será realizada em Washington no final deste mês".

No entanto, a declaração reafirma que as economias do Apec consideram que a Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança Climática é o melhor fórum para abordar todos os assuntos relativos ao aquecimento do planeta.

No entanto, segundo a porta-voz do Greenpeace em matéria de energia, Catherine Fitzpatrick, a declaração "é papel molhado e não inclui nenhuma ação real".

O Apec representa quase a metade do comércio global e cerca de 60% do PIB mundial.

O Fórum é integrado por Austrália, Brunei, Canadá, Chile, China, Coréia do Sul, EUA, Filipinas, Hong Kong, Indonésia, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné, Peru, Rússia, Cingapura, Tailândia, Taiwan e Vietnã.

Leia mais sobre: Apec





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