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Bush participa de 'conselho de guerra' no Iraque

03/09 - 12:18, atualizada às 15:34 03/09 - Reuters

BASE AÉREA DE AL ASAD, Iraque - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, realizou com autoridades da área de segurança um 'conselho de guerra' dentro de uma base militar do Iraque, na segunda-feira, uma semana antes de membros do governo testemunharem diante do Congresso a respeito da situação do país árabe.

Bush, que deve entrar em choque com os congressistas favoráveis à retirada das forças norte-americanas do Iraque, voou em segredo para a Base Aérea de Al Assad, na Província de Anbar, onde também deve se reunir com o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki.

O presidente viajou acompanhado da secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, e de Steven Hadley, conselheiro nacional para a área de segurança dos EUA. O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, chegou em um outro vôo.

Geoff Morrell, porta-voz do Pentágono, afirmou que Bush, Rice e Gates se reuniriam com os principais comandantes das forças norte-americanas no Iraque, com dirigentes iraquianos (entre os quais Maliki) e com líderes tribais de Anbar, uma Província antes problemática que os norte-americanos vêem como uma história de sucesso.

'Trata-se, basicamente, de um encontro do conselho de guerra', afirmou Morrell a repórteres, a caminho da base aérea localizada em uma área desértica.

'Esse será o último grande encontro entre os conselheiros do presidente e os líderes iraquianos antes de o presidente adotar uma decisão sobre o futuro da política para o Iraque.'

A decisão de reunir-se em Anbar é bastante simbólica. Uma viagem do tipo envolvendo Bush seria impensável meses atrás, quando a região estava entre as mais perigosas do Iraque para as forças norte-americanas.

Mas uma rebelião realizada por tribos sunitas contra o grupo Al-Qaeda, também sunita, melhorou a situação da província, que agora deve ser mostrada como um indício de que a estratégia norte-americana para o país está funcionando.

O comandante das forças dos EUA no Iraque, general David Petraeus, testemunhará diante do Congresso norte-americano no dia 10 de setembro. Petraeus falará ao lado do embaixador norte-americano no Iraque, Ryan Crocker.

Prestando contas ao Congresso

Os dois devem oferecer dados sobre o impacto da decisão de Bush de enviar mais 30 mil soldados ao Iraque, elevando o contingente militar norte-americano estacionado ali para um total de 160 mil militares.

O governo dos EUA viu-se instado a submeter, até o dia 15 de setembro, um outro relatório sobre a situação do Iraque.

A parada no país árabe não havia sido anunciada com antecedência. Bush, que visitou o Iraque em junho do ano passado e, antes disso, em novembro de 2003, estava a caminho de uma cúpula de líderes de países do Pacífico e da Ásia. O presidente deve ficar seis horas no Iraque.

'O presidente sentiu que isso era algo que deveria fazer a fim de estar apto a tomar algumas decisões importantes', afirmou Hadley a repórteres.

Bush vem sendo pressionado por democratas (oposição) e por alguns republicanos (governistas) favoráveis a que os soldados norte-americanos comecem a sair do Iraque em breve. Os EUA invadiram aquele país quatro anos atrás. Desde então, 3.700 soldados norte-americanos foram mortos ali, junto com dezenas de milhares de iraquianos.

Os congressistas desejam que Bush mostre ao atual governo iraquiano, liderado pelos xiitas e atualmente em crise, que o comprometimento norte-americano com o Iraque não é eterno.

Na sexta-feira, Bush apelou ao Congresso para que espere mais tempo antes de avaliar a situação política e militar do Iraque e adotar qualquer decisão sobre uma guerra cada vez mais impopular e responsável por manchar a imagem dos EUA no cenário internacional.

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