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Nova Orleans ainda precisa de ajuda dois anos depois do "Katrina"

27/08 - 17:22 - EFE

Jorge A. Bañales Washington, 27 ago (EFE).

- Dois anos depois da passagem do furacão "Katrina", a costa do Golfo do México nos EUA arrasada pelos ventos e pelas inundações vem retornando lentamente à normalidade, mas a cidade de Nova Orleans continua precisando de ajuda.

"As pessoas de Nova Orleans passaram dois anos fazendo tudo o que podem para recuperar a cidade, mas a recuperação é desigual", disse Angela Glover Blackwell, fundadora do PolicyLink - um grupo de estudo e promoção comunitária da Louisiana - à agência Efe.

No dia 29 de agosto de 2005, o furacão "Katrina", com ventos de 240 km/h, atingiu o Delta do Mississípi, cerca de 60 quilômetros a sudeste de Nova Orleans. Depois, mudou de rumo na direção nordeste, causando ondas de até sete metros.

O centro do furacão nunca chegou a Nova Orleans, mas o redemoinho levantou as águas do Lago Portchartrain, contido por diques, que se romperam e alagaram a cidade.

Dos mais de 1.800 mortos deixados pelo "Katrina" nos Estados Unidos, pelo menos 1.577 foram no estado da Louisiana, segundo dados do Centro Nacional de Furacões.

Segundo Angela Glover, "a escala do desastre é tão imensa que não é possível (avançar na recuperação) sem os recursos, a perícia e a coordenação do Governo federal. Existem as agências para socorro em emergências e desastres, mas precisamos de um mecanismo para 'mega-desastres'".

No entanto, a vida já retornou à normalidade em St. Charles, cerca de 40 quilômetros a oeste de Nova Orleans, disse por telefone à agência Efe Ron Tuillory, diretor de recursos humanos e relações públicas da refinaria de Valero, a primeira que voltou à capacidade máxima de produção apenas 12 dias depois da chegada do "Katrina".

"É como se nada tivesse ocorrido aqui. As operações da refinaria são regulares, a comunidade consertou os estragos, as operações do terminal e do canal (por onde navegam os petroleiros em rotas que incluem o Golfo do México) são normais", disse.

Quase 100 quilômetros a leste, na cidade de Biloxi, às margens do Mississípi, a porta-voz da diocese católica, Shirley Henderson, reconheceu "grandes progressos na recuperação", mas disse que "ainda há muita gente morando em casas temporárias" na região.

A população nas sete paróquias (condados) de Nova Orleans é agora de aproximadamente 1,1 milhão de pessoas, o que equivale a 16% menos que antes do "Katrina", mas já cresceu seis pontos percentuais em um ano.

O "Katrina" causou uma fuga de quase 1 milhão de pessoas de todo o sul da Louisiana. Só 39% dos habitantes da paróquia de Orleans ainda vivem ali. Na paróquia de Bernard, há apenas 36% do total de antes do furacão.

A lentidão e a ineficácia do Governo dos EUA frente à catástrofe de Nova Orleans obrigaram os moradores que não foram embora e os que retornaram a dispor de seu próprio entusiasmo e de seus recursos para revitalizar a cidade.

O Governo federal prometeu cerca de US$ 20 bilhões em ajuda aos desabrigados vítimas do "Katrina".

No entanto, dois anos depois, grande parte desses fundos está retida devido a trâmites burocráticos. Muitos recursos e equipamentos disponibilizados para a recuperação do local eram inadequados ou simpleamente não chegaram.

Antes da passagem do "Katrina", Nova Orleans tinha um perfil étnico e social bem definidos: os bairros negros não só eram mais pobres, mas estavam nas áreas mais baixas da cidade, já situada abaixo do nível do Lago Portchartrain. Dessa forma, foram os locais mais devastados.

Nas áreas de classe média (bairros de St. Tammany, Algiers, partes de Jefferson e Uptown), que não ficaram alagadas pela mistura de água, gasolina, esgoto e lixo, a vida praticamente retornou ao normal.

"Os que tinham recursos, seguro ou economias voltaram, consertaram suas casas, têm seus filhos em escolas privadas", disse Angela Glover.

Segundo ela, "só 40% dos alunos das escolas públicas voltaram às aulas", e a maior parte dos estudantes destes colégios é de negros e imigrantes hispânicos. EFE jab is/pa




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