18/08 - 11:42 - AFP

Dois homens que se identificaram como membros da al-Qaeda seqüestraram neste sábado um avião comercial turco com mais de 140 pessoas a bordo, mas se entregaram numa cidade do sul da Turquia, ponde fim de maneira pacífica a cinco horas de tensão.
"Contatamos os seqüestradores e negociamos com eles. Sua rendição foi negociada através de métodos que prefiro não detalhar", afirmou o ministro o Interior turco, Osman Gunes.
"O seqüestro terminou sem necessidade de uma operação. Uma equipe de resposta rápida da polícia foi convocada em caso de fracasso nas negociações", acrescentou.
Gunes identificou um dos seqüestradores como Mehmet Resat Ozlu, de nacionalidade turca, e o outro como Mommen Abdul Aziz Talikh, que possui um passaporte sírio, mas parece ser de origem palestina.
A agência de notícias Anatólia disse que Ozlu, um estudante universitário da parte turca do Chipre, que só a Turquia reconhece, tem 27 anos, enquanto Talik tem 25 anos.
A polícia turca também prendeu uma terceira pessoa, um dos passageiros, suspeito de ser cúmplice dos seqüestradores, informou Alattin Yuksel, governador de Antalya (sul), onde o avião realizou um pouso de emergência.
Gunes não quis fazer comentários sobre informes que assinalam que os seqüestradores eram membros da Al-Qaeda e disse que a polícia os está interrogando para verificar suas motivações e conexões.
O ministro disse ainda que a polícia está examinando o conteúdo de um pacote que, segundo os dois homens, tinha explosivos.
Os seqüestradores, que possuíam uma faca, desviaram o aparelho da companhia turca Atlas Jet pouco depois de sua decolagem do norte do Chipre, com destino a Istambul.
Em princípio se informou que o aparelho levava 136 passageiros e seis tripulantes, mas Yuksel precisou depois que os passageiros eram 140 - incluindo oito crianças - e os tripulantes eram cinco.
Gunes contou que os seqüestradores pediram para os pilotos desviarem o aparelho para a capital iraniana, Teerã, ou para a Síria, mas que os comandantes os convenceram que o avião precisava ser reabastecido e, por isso, fizeram um pouso de emergência em Antalya, na costa mediterrânea turca.
As autoridades turcas chegaram a um acordo inicial com os dois homens para que libertassem as mulheres e as crianças através da porta dianteira, mas enquanto isso acontecia, a maioria dos passageiros homens conseguiu fugir pela porta traseira e deixar o avião.
Um pequeno grupo de passageiros e tripulantes, no entanto, ficou no avião junto com os seqüestradores. Eles contaram que os dois homens falavam árabe, um pouco de inglês e de turco e que disseram ser membros da rede Al-Qaeda. Seu objetivo seria protestar contra os Estados Unidos.
Uma passageira, Hakki Dogusoy, disse que os seqüestradores prometeram que não fariam mal aos passageiros. "Eles disseram: 'Somos muçulmanos. Vocês também são muçulmanos. Não lhes faremos mal", contou Dogusoy.
O governador Yuksel disse ainda que os piratas pediram que as autoridades lhes enviasse novos pilotos para que pudessem decolar para o Irã. Mas, para ganhar tempo, as autoridades disseram que primeiro deviam reparar a porta traseira danificada e depois que iam conseguir um novo avião.
"Quando dissemos que levaria cinco horas para arranjar as coisas, eles foram persuadidos a se render", completou a Anatólia.
su-han/cn
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