Washington, 17 ago (EFE).- O "número dois" das forças dos Estados Unidos no Iraque, general Ray Odierno, garantiu hoje que a segurança no país árabe está melhorando, apesar dos sangrentos ataques desta semana no norte, que deixaram pelo menos 500 mortos.
"Apesar desses ataques, a segurança em todo o Iraque está melhorando em linhas gerais", afirmou Odierno em videoconferência feita no Iraque e transmitida na sede do Pentágono em Washington.
Odierno afirmou que o aumento do número de tropas americanas no país árabe, que deve levar o contingente militar ao número recorde de 170.000 soldados nos próximos meses, deu frutos e forçou a Al Qaeda "a protagonizar seus espetaculares atos em partes mais remotas do país em vez de na capital".
Para lidar com essa nova situação, Odierno disse que as forças americanas têm planos de realizar, nas próximas semanas, ataques rápidos contra os militantes que atuam e se escondem nas partes mais remotas do país árabe.
"Continuaremos caçando sua liderança, negando a eles refúgio seguro, alterando sua rede de fornecimentos e reduzindo de forma significativa sua capacidade para operar no Iraque", disse o militar americano.
Odierno afirmou que os extremistas representam "ilhotas" dentro do país e que a capacidade de atuação da Al Qaeda foi seriamente diminuída.
De acordo com ele, por volta de 52% dos ataques violentos no Iraque durante o mês de julho foram perpetrados por representantes da Al Qaeda e os outros 48% por radicais xiitas, segundo os números do Pentágono.
"Claro que eles ainda têm certa capacidade de atuação (... mas) "se você comparar esses números com o de aproximadamente 70% de ataques violentos associados à Al Qaeda em janeiro (...), vê que diminuímos sua capacidade para dirigir operações no Iraque", afirmou.
Além de uma maior fraqueza da Al Qaeda, os números também refletem, na opinião do general americano, a maior ameaça representada pelos extremistas xiitas, apoiados - disse - pelo Irã.
Odierno descreveu o respaldo do regime de Teerã aos insurgentes iraquianos como "uma séria ameaça", e disse que as forças americanas continuarão trabalhando para identificar os representantes do regime dos aiatolás no Iraque.
Afirmou, nesse sentido, sentir-se preocupado com a "influência iraniana sobre os grupos extremistas xiitas e com o que isso representa para o futuro".
Não se pode permitir que a influência do Irã continue, disse o general, que, contudo, evitou dizer quais são as medidas que seriam necessárias para pôr fim a esta situação.
Apesar das diferentes frentes abertas, o discurso de Odierno teve um tom geral otimista.
O militar afirmou que os avanços no terreno permitirão que o Exército retire até agosto de 2008 todos os soldados extras enviados a pedido da Casa Branca este ano - cerca de 30.000.
Durante sua entrevista coletiva, mencionou ainda a crescente capacidade de atuação das Forças de Segurança iraquianas.
Odierno falou semanas antes de um esperado relatório sobre a evolução da situação no Iraque, que o comandante das forças dos EUA no país árabe, general David Petraeus, deve apresentar ao Congresso americano em meados de setembro.
O relatório é crucial diante da crescente pressão dos democratas - que ganharam o controle do Congresso nas urnas em novembro de 2006 - para que os EUA comecem a se retirar do Iraque.
Odierno afirmou que a decisão da Casa Branca de enviar mais tropas foi acertada. "Permitiu-nos manter nossas conquistas e começar a oferecer um senso de normalidade a alguns cidadãos iraquianos". EFE tb ep