16/08 - 17:26 - AFP

Cientistas da Universidade do Oregon, nos Estados Unidos, recriaram pela primeira vez uma proteína de 450 milhões de anos, com seus 2.000 átomos, o que permite ajudar a compreender certas etapas da sua evolução até a versão moderna no organismo humano, de acordo com um estudo publicado nesta quinta-feira.
"Nunca havíamos conseguido chegar tão longe no tempo (...) e ver tão claramente o desenrolar dos mecanismos pelos quais a evolução conforma uma máquina molecular em escala atômica", explica Joe Thornton, biólogo e principal autor da pesquisa.
"Podemos ver exatamente como a evolução agiu sobre a estrutura antiga da proteína e produziu uma nova função crucial para o organismo humano atual", acrescentou.
Os cientistas concentraram-se na proteína chamada "receptor glucocorticóide" que desempenha um papel chave na resposta do organismo ao estresse humano, utilizando o cortisol, um tipo de hormônio.
Foram necessárias apenas sete mutações durante 450 milhões de anos para desenvolver esta função biológica essencial, determinaram os pesquisadores, que publicaram o artigo descrevendo os resultados na revista americana Science, de 17 de agosto.
Eles puderam deduzir ainda a ordem que estas mudanças aconteceram, e porque certas mutações teriam provocado a perda total das funções da proteína.
Os cientistas criaram seguidamente uma imagem em três dimensões da proteína como era há 450 milhões de anos, recorrendo a uma técnica de cristalografia por raios X que permitiu localizar o lugar de cada um dos seus 2.000 átomos.
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