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Ruanda lamenta que República Democrática do Congo não persiga rebeldes hutus

15/08 - 13:37 - EFE

Nairóbi, 15 ago (EFE).- O Governo de Ruanda lamentou hoje que o Exército da vizinha República Democrática do Congo (RDC) não persiga os rebeldes hutus ruandeses ainda presentes no país.

Esses rebeldes são acusados de terem promovido um genocídio de tutsis e hutus moderados no ano de 1994.

"Qualquer coisa que dê satisfação a essa gente que cometeu o genocídio não pode ser bem recebida", disse à agência Efe por telefone da capital ruandesa, Kigali, o ministro de Assuntos Exteriores, Charles Murigande.

O ministro descartou, no entanto, que Ruanda tenha intenção de intervir militarmente na RDC, como ameaçou fazer em várias ocasiões se não fosse resolvido o problema das milícias hutus.

"Intervir na RDC não está na agenda, fizemos isso no passado porque não havia foros nos quais resolver os problemas, mas hoje utilizaremos os foros que existem, como a Conferência Internacional dos Grandes Lagos e a comissão tripartite formada por Ruanda, Uganda e RDC", explicou Murigande.

Segundo o ministro, "a decisão do Exército congolês envia às interahamwe - milícias de etnia hutu - a mensagem errada, ou seja, que eles não têm nada a temer na RDC e que não será combatida. Antes pelo menos viviam sob essa ameaça", lamentou Murigande.

"Estamos um pouco decepcionados com o Governo congolês. As milícias continuam ferindo, violando e saqueando a população congolesa", acrescentou o ministro, afirmando que pensa em viajar em breve para a capital congolesa, Kinshasa, para discutir o assunto.

As Forças Armadas da RDC (FARDC) decidiram ontem suspender todas as operações militares nas províncias de Kivu Norte e Sul contra os combatentes das chamadas Forças Democráticas de Libertação de Ruanda (FDLR).

O motivo da decisão, segundo o Exército, foi a "confusão" na hora de identificar os milicianos e diferenciar os hutus congoleses dos hutus ruandeses, já que todos falam o idioma ruandês, quiniaruanda.

As FDLR são formadas por ex-membros das Forças Armadas Ruandesas e das milícias "Interahamwe" (os que caçam juntos, em idioma quiniaruanda), a quem é atribuída a maior parte dos massacres de 1994, nas quais morreram, segundo fontes diferentes, entre 500 mil e um milhão de tutsis e membros moderados da etnia hutu.

Quando os rebeldes da Frente Patriótica Ruandesa, liderados pelo atual presidente ruandês, Paul Kagame, tomaram o controle do país, pondo um fim ao genocídio, as milícias e soldados fugiram para o leste da RDC para continuar lançando ataques contra a Ruanda.

Calcula-se que, atualmente, as FDLR sejam compostas por 8 mil a 10 mil membros.

A presença dos combatentes hutus na RDC foi o principal fator desestabilizador na região e a razão defendida por Ruanda para invadir seu vizinho em duas ocasiões: em 1996, e entre 1998 e 2002.

A última invasão desencadeou uma guerra regional na qual participaram seis exércitos estrangeiros e morreram mais de três milhões de pessoas, principalmente pela fome e por doenças derivadas da disputa.

A Ruanda se retirou da RDC no final de 2002, mas em várias ocasiões ameaçou voltar a invadir o país vizinho se não fosse resolvido o problema das FDLR, que o Governo de Kabila se comprometeu a desarmar e entregar, o que acabou não acontecendo.

Em março de 2005, as FDLR se comprometeram em Roma a "renunciar à luta armada" que travaram durante 11 anos contra as autoridades de Kigali e afirmaram sua disposição de ingressar em um programa de desarmamento voluntário e de regresso a Ruanda, mas o retorno nunca aconteceu. EFE ic ma




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