14/08 - 19:47, atualizada às 20:27 14/08 - Reuters

BEIRUTE - O líder do Hezbollah, xeque Hassan Nasrallah, alertou na terça-feira que Israel terá uma 'grande surpresa' caso trave outra guerra contra o grupo guerrilheiro libanês. Em alusão ao primeiro aniversário do fim do conflito entre ambas as partes no sul do Líbano, Nasrallah disse que seu grupo não quer guerra, mas tem o dever de estar preparado, já que, segundo ele, Israel e EUA 'tocam os tambores da guerra.'
'Se vocês pensam, sionistas, em lançar uma guerra contra o Líbano, não vou lhes prometer surpresas como as que aconteceram [na última guerra], em vez disso prometo-lhes uma grande surpresa, que pode mudar o destino da guerra e o destino da região', disse Nasrallah em discurso transmitido pela TV.
O líder xiita disse que não revelaria sua localização.
'Os sionistas e americanos estão tocando os tambores da guerra', disse ele no início do discurso, dirigindo-se a dezenas de milhares de seguidores reunidos em Beirute para vê-lo num telão.
'Se Deus quiser não haverá uma guerra. Como eu disse em discursos anteriores, não queremos guerra', afirmou Nasrallah, culpando Israel pelo último conflito, que matou cerca de 1.200 pessoas no Líbano, a maioria civis, e 158 israelenses, quase todos soldados.
Aquela guerra começou em 12 de julho, quando o Hezbollah fez uma incursão no norte de Israel e capturou dois soldados.
'Se, que Deus nos livre, uma guerra acontecer, precisamos estar prontos', disse Nasrallah, acrescentando que sua declaração no mês passado de que o grupo tem foguetes capazes de atingir qualquer ponto de Israel tinha por objetivo dissuadir o Estado judeu e não provocar um conflito.
'A preparação para a guerra é o meio mais importante de preveni-la', afirmou o xeque.
A multidão reunida na periferia sul de Beirute, alvo de pesados bombardeios israelenses na guerra passada, agitava bandeiras do Hezbollah e de seu aliado, o movimento Amal, também xiita.
Desde a guerra, o Hezbollah, o Amal e outros grupos libaneses vivem uma disputa política contra o governo do primeiro-ministro Fouad Siniora, que tem apoio dos EUA.
Trata-se da pior crise política no Líbano desde a guerra civil (1975-90).
Nasrallah disse que o Hezbollah apóia uma iniciativa do presidente do Parlamento, Nabil Berri, do Amal, em busca do consenso.
Quase 1 milhão de libaneses fugiram das suas casas no ano passado devido à guerra. Estima-se que 125 mil casas e apartamentos tenham sido destruídos ou danificados no Líbano.
O Hezbollah, que tem apoio da Síria e do Irã, já gastou 380 milhões de dólares na reconstrução e na ajuda aos atingidos pela guerra, segundo Nasrallah.
Não houve um claro vencedor no conflito, mas o Hezbollah afirma ter tido uma 'divina vitória'.
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