Ali Moussa Bagdá, 13 ago (EFE).- Os principais dirigentes políticos iraquianos, convocados no domingo pelo primeiro-ministro Nouri al-Maliki, se preparam para realizar uma reunião de emergência para tentar superar a crise política que ameaça colapsar o Governo.
A convocação de Maliki responde à paralisação do Executivo após a recente retirada de 17 ministros, que ameaça seriamente a estratégia de reconciliação nacional apoiada pelo líder xiita.
Fontes governamentais asseguraram que já começaram os contatos entre os diferentes grupos anteriores à cúpula, prevista para hoje ou terça-feira, segundo Maliki.
Vários políticos iraquianos disseram ter esperança de que a reunião resulte em um documento com os planos futuros do Governo que acabe com a violência e o sectarismo e consiga obter a reconciliação nacional.
A Frente do Consenso Iraquiano, principal parceiro sunita do Governo, mostrou disposição em participar do encontro como parte do compromisso de ajudar os iraquianos a superar a situação atual.
No entanto, o porta-voz do grupo, Salim Jabouri, ressaltou em entrevista ao canal de televisão árabe "Al Jazira" que sua participação "não significa o retorno ao Governo".
A legenda retirou no início do mês os seis ministros que mantinha no Executivo devido à recusa de Maliki em satisfazer suas reivindicações.
Entre as exigências, o grupo pede uma maior cota de poder para a comunidade sunita e a dissolução das milícias xiitas, consideradas pelos sunitas como responsáveis pelo seqüestro, tortura e morte de milhares de iraquianos.
Poucos dia depois, a Lista do Acordo Nacional Iraquiano, um grupo misto dominado por xiitas laicos e aliado da Frente do Consenso Iraquiano, tomou as mesmas medidas e retirou seus cinco ministros.
Os abandonos ampliam o número de assentos vazios no Executivo de Maliki, já que em abril os seis ministros do grupo do clérigo xiita Muqtada al-Sadr também saíram do Governo.
Maliki, que chegou ao poder em maio do ano passado, tenta com esta reunião superar a pior crise política enfrentada por seu gabinete.
O presidente da região autônoma do Curdistão e presidente do Partido Democrático do Curdistão, Massoud Barzani, que, junto à União Patriótica do Curdistão, corresponde ao segundo bloco no Parlamento, chegou hoje a Bagdá para participar das conversas.
Barzani já se reuniu com o presidente do país, o também curdo Jalal Talabani, e com o vice-presidente xiita, Adel Abdel Mahdi.
Durante a reunião serão discutidos "os principais assuntos e estratégias que impedem o Governo de cumprir seu dever de encontrar soluções aos problemas do país", como assegurou Maliki no domingo.
O Governo atual controlado pelos xiitas foi reiteradamente acusado de praticar uma política sectária, principalmente contra a comunidade sunita, e sofre uma forte pressão internacional para que reconduza a política para a reconciliação nacional.
Diversos analistas vêem nas milícias xiitas, que Maliki não conseguiu desarmar, o principal empecilho para avançar rumo à reconciliação do país.
Neste sentido, o líder da Frente do Consenso Iraquiano, Adnan al-Dulaimi, citado hoje pela imprensa nacional, pediu aos Estados árabes que detenham "a campanha de limpeza étnica sem precedentes contra os árabes sunitas" no Iraque.
O Iraque está imerso em uma onda de violência sectária que já matou milhares de pessoas e começou em fevereiro de 2006, após um atentado contra um templo xiita na cidade de Samarra, 120 quilômetros ao norte de Bagdá. EFE am-jfu pp/dgr