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Talibãs querem trocar duas reféns doentes por dois presos

03/08 - 11:31 - EFE

Naweed Haidary Cabul, 3 ago (EFE) - O grupo que mantém em cativeiro 21 sul-coreanos está disposto a libertar "imediatamente" duas reféns "gravemente doentes" se, em troca, o Governo afegão soltar dois talibãs presos. "Podemos libertá-las imediatamente se o Governo soltar dois prisioneiros", disse à agência Efe por telefone o porta-voz talibã Mohammed Yousif Ahmadi. Ele acrescentou que a proposta já foi transmitida aos negociadores sul-coreanos.

Segundo Ahmadi, após mais de duas semanas de seqüestro, as reféns "conseguem comer um pouco para sobreviver". Mas seu estado é "crítico", já que "não podem caminhar".

O porta-voz, que na quinta-feira afirmou que os seqüestradores estão dispostos a manter um encontro com a delegação sul-coreana, revelou que os negociadores sugeriram o escritório da Equipe de Reconstrução Provincial (PRT) de Ghazni, onde agem as forças internacionais, para a reunião.

No entanto, os rebeldes rejeitaram a oferta. Eles querem encontrar os sul-coreanos em alguma zona controlada pelos talibãs, segundo Ahmadi.

A delegação sul-coreana está tentando convencer os Governos afegão e americano a aceitar as exigências dos talibãs, segundo Ahmadi.

Hoje, o Governo sul-coreano disse em Seul que tem "limitações" para atender às reivindicações dos talibãs.

"Nos contatos, nosso principal objetivo é deixar claro que há limitações por parte de nosso Governo para atender à demanda de libertar os prisioneiros", afirmou o porta-voz presidencial sul-coreano, Chun Ho-sun.

Após vários prazos e a morte de dois reféns, Afeganistão e Coréia do Sul continuam seus esforços de negociação para libertar os 21 voluntários cristãos - entre eles 18 mulheres - seqüestrados no dia 19 julho quando viajavam entre Kandahar e Cabul.

Os fundamentalistas exigem a libertação de presos da prisão de Pul-e-Charkhi, nos arredores de Cabul, em troca dos 21 sul-coreanos ainda vivos.

No dia 25 de julho, os talibãs anunciaram a morte de Bae Hyung-kyu, um pastor evangélico de 42 anos. Na segunda-feira, executaram Shing Sun-min, de 29 anos, baleado após expirar mais um prazo.

O Governo afegão já expressou vontade de conseguir a libertação dos reféns, mas sempre dentro dos limites "das leis e da Constituição" do país.

Apesar de Cabul não ter se pronunciado sobre uma possível operação militar contra os seqüestradores, o Governo sul-coreano, que prefere a via negociadora, descartou esta opção por meio do ministro do Exterior, Song Min-soon.

Após se reunir em Manila com o subsecretário de Estado americano, John Negroponte, Song afirmou que Seul e Washington concordaram em rejeitar qualquer tipo de ação militar em relação ao seqüestro.

Também no leste do Afeganistão, na província de Vardak, dois engenheiros alemães foram seqüestrados no dia 18 de julho. Os talibãs anunciaram que um deles tinha sido executado no dia 21, mas tanto Cabul quanto Berlim disseram que ele tinha morrido devido a uma parada cardíaca.

Um dia depois, o corpo do engenheiro foi encontrado e sua autópsia comprovou que ele morreu baleado.

A milícia talibã mantém em seu poder o outro alemão, que aparece em um vídeo exibido há dois dias pela televisão catariana "Al Jazira".

Na fita, que tem duração de um minuto sem som, uma pessoa encapuzada aponta uma arma na direção do engenheiro e manda que ele faça alguma declaração. O alemão, com as mãos nos bolsos da calça e com o rosto vermelho, se dirigia à câmara para falar. EFE nh-amp db/pa




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