Nações Unidas, 18 jul (EFE).- Os Estados Unidos e seus aliados europeus apresentarão oficialmente nesta quinta-feira ao Conselho de Segurança (CS) uma resolução sobre o Kosovo à qual Rússia se opõe, em uma última tentativa de decidir o futuro da província no âmbito da ONU.
A informação foi dada hoje pelo embaixador americano perante as Nações Unidas, Zalmay Khalilzad, ao sair de uma reunião do CS.
"Investimos muito tempo, falamos muitas vezes com nossos colegas russos, mas chegou o momento de tomar a decisão de se o Conselho de Segurança vai desempenhar um papel", afirmou o diplomata.
Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Bélgica "passaram a limpo" na noite desta terça-feira a sua última minuta sobre o Kosovo.
O documento estabelece a transferência da administração da província, que passaria da ONU a uma missão da União Européia (UE), e o início de um período de 120 dias de negociações entre sérvios e albano-kosovares.
Segundo o regulamento do CS, ao passar a limpo o documento, seus patrocinadores podem pedir uma votação sobre a resolução nas 24 horas seguintes, algo que, segundo fontes diplomáticas, não têm a intenção de fazer por enquanto.
Mesmo sem votação, Khalilzad garantiu que a resolução conta com o apoio da "arrasadora maioria" dos 15 membros do CS, e apontou o poder de veto da Rússia - um dos cinco membros permanente do órgão - como o único obstáculo à adoção do texto.
"Se a Rússia impedir que o Conselho tome uma determinação sobre este assunto, já dissemos que o processo não termina, e sim passa para fora do Conselho de Segurança. Não considero isto positivo, mas evitá-lo está nas mãos da Rússia", acrescentou.
Os atritos em torno do Kosovo dentro do Conselho seguem-se a várias semanas de negociações nas quais a UE e os EUA tentaram acordar com a Rússia um texto que abra um novo capítulo para a província sérvia de maioria albanesa.
Até agora, Moscou rejeitou as três minutas que lhe foram apresentadas por considerar que elas favorecem a independência do Kosovo.
O embaixador russo perante a ONU, Vitaly Churkin, reiterou na segunda-feira que Moscou só apoiará uma solução negociada entre albano-kosovares e sérvios, sem imposições externas.
Rússia e Sérvia se opõem especialmente ao plano do mediador da ONU, Martti Ahtisaari, que prevê uma independência para o Kosovo, inicialmente sob a tutela da UE e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Diante das reduzidas possibilidades de alcançar um acordo dentro da ONU, o chefe da diplomacia européia, Javier Solana, mencionou na terça-feira a possibilidade da abertura de um período de quatro meses de negociações entre sérvios e albano-kosovares sem uma resolução do Conselho de Segurança.
Durante esse período, os membros do Grupo de Contato para o Kosovo (EUA, Rússia, Alemanha, Reino Unido, França e Itália) viajariam a Pristina (capital kosovar) e Belgrado (capital sérvia) para se reunir com seus líderes, afirmou Solana.
Kosovo está desde 1999 sob administração da ONU e proteção de forças da Otan. EFE jju ep