10/07 - 13:24, atualizada às 17:47 10/07 - Redação com agências internacionais
SÃO PAULO - O número dois da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahri, ameaçou nesta terça-feira realizar mais ataques na Grã-Bretanha, duas semanas depois de atentados fracassados em Londres e Glasgow.
'Eu digo ao sucessor do ex-premiê Tony Blair que a política do seu antecessor atraiu catástofes ao Afeganistão e ao Iraque e mesmo ao centro de Londres', disse ele em uma fita de áudio divulgado em um site usado por grupos vinculados à Al-Qaeda.
'Se você não aprendeu a lição, então estamos prontos para repetir isso, se Deus quiser, até que estejamos certos de que vocês entenderam completamente.' Não foi possível verificar imediatamente a autenticidade da fita.
Há poucos dias, dois carros-bomba foram desativados em Londres e um jipe cheio de combustível foi atirado contra o aeroporto de Glasgow, sem provocar maiores danos. O recém-empossado primeiro-ministro Gordon Brown atribuiu ambos os atentados à Al Qaeda.
Zawahri também criticou a polêmica decisão de conceder ao escritor Salman Rushdie o título de cavaleiro do império britânico. Segundo ele, a rainha Elizabeth 2 passou um recado claro aos muçulmanos ao homenagear um autor que insultou o Islã, e que por isso a Al-Qaeda está preparando uma reação.
Rushdie é o autor do romance 'Os Versos Satânicos', visto como blasfemo por muitos muçulmanos. Ameaçado de morte, ele passou nove anos escondido.
Zawahri disse que o mínimo que os muçulmanos devem fazer é boicotar produtos britânicos para protestar contra o título concedido ao escritor.
Um porta-voz de Brown disse que o governo não pretendia 'dignificar isso com uma resposta'. 'Como disse o primeiro-ministro, o povo britânico permanecerá unido, resoluto e forte, e não vamos permitir que terroristas abalem o estilo de vida britânico'.
Zawahri vem divulgando várias mensagens nos últimos meses.
Ele também conclamou os paquistaneses a lutarem contra o presidente Pervez Musharraf, cujas forças na terça-feira mataram um líder islâmico rebelde e mais de 50 militantes, na invasão de uma mesquita depois de uma semana de cerco.
'Digo aos muçulmanos no Paquistão que o real desafio a Musharraf não está em manifestações nem em eleições, mas em apoiar a jihad no Afeganistão', afirmou, sem se referir especificamente à crise na mesquita.
O militante também comemorou o ataque que matou seis soldados da Espanha em junho no Líbano. Ele repetiu o apelo feito no ano passado por mais ataques a soldados da ONU no sul do Líbano.
'Esta operação veio como reação à ocupação desses grupos cruzados invasores de uma parte querida do Líbano, e uma resposta à imposição do desarmamento ali', afirmou.
Nenhum grupo assumiu a autoria dos ataques. O Hezbollah, grupo xiita contrário à Al-Qaeda, condenou-os.
Zawahri repetiu apelos anteriores para que o Hamas rejeite todos os acordos internacionais com Israel, as resoluções da ONU e um acordo recentemente desfeito com a Fatah, grupo laico do presidente Mahmoud Abbas.
Suspeito é ligado à Al-Qaeda
Os arquivos digitais apreendidos na casa de Kafeel Ahmed, motorista do carro jogado contra um terminal do aeroporto de Glasgow, na Escócia, revelaram que ele transmitiu mensagens à rede terrorista Al-Qaeda, afirma nesta terça-feira o jornal Times of India.
Os três CD-ROMs e um disco rígido confiscados na residência de Ahmed, em Bangalore, sul da Índia, provam que ele se comunicou com agentes da rede de Osama Bin Laden e incluem vídeos deste último, segundo a fonte.
Também contêm discursos de Bin Laden e propaganda antiamericana e antibritânica.
Kafeel Ahmed, de 27 anos, está recebendo atenção médica em um hospital britânico por causa dos graves ferimentos sofridos quando estava ao volante do carro que tentou explodir contra a entrada de um terminal de Glasgow. Várias testemunhas afirmaram tê-lo visto se encharcando com gasolina antes de ser detido pelas forças de segurança.
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