10/07 - 10:48 - AFP

Seus ex-professores recordam que, quando era estudante, Abdul Rashid Ghazi, suposto chefe dos extremistas islâmicos que resistem ao assalto das autoridades à Mesquita Vermelha de Islamabad, não dava mostras de ser um radical, mas agora não larga de sua kalashnikov nem para dormir.
"Ele era um estudante normal, moderado", afirma Naim Qureshi, que foi professor de Ghazi na Universidade Quaid-e-Azam de Islamabad, onde fez mestrado em história 1987 e 1988. Uma fotografia de Ghazi e de sua turma continua pendurada numa parede da faculdade.
"Lembro que usava uma barba normal", acrescenta o professor, referindo-se aos cabelos eriçados que agora exibe ao melhor estilo islamita.
Depois da universidade, Ghazi casou com uma mulher que pertencia a uma família moderada. Levava um estilo de vida mais ocidental, obteve uma vaga no ministério da Educação e também trabalhou para a Unesco.
Seu estilo de vida, considerado muito dissoluto, provocou a revolta de seu pai, Abdullah Aziz, que dirigia a Mesquita Vermelha. O patriarca decidiu que seria o irmão de Abdul Rashid, Abdul Aziz, quem herdaria os bens da família.
Mas em 1998, o pai foi assassinado a tiros dentro do templo por homens suspeitos de pertencer a um movimento islâmico rival. A personalidade de Ghazi mudou completamente. Ele se uniu a seu irmão na direção da Mesquita e foi nomeado subchefe. Também desenvolveu vínculos com a Jihad (guerra santa) anti-soviética no Afeganistão, apoiado nisso pelos serviços de inteligência paquistaneses.
Quando ocorreram os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos já não existia qualquer indício do antigo Ghazi. Segundo fontes dos serviços de segurança, ele mantinha relações estreitas com militantes favoráveis aos talibãs e fazia campanha contra a decisão do presidente Pervez Musharraf de apoiar os Estados Unidos em sua invasão do Afeganistão.
De acordo com amigos, em 2004 escapou de um atentado. Desde então não abandona sua kalashnikov, nem sequer para dormir.
A partir desse momento, Ghazi e seu irmão Aziz se comprometeram totalmente na luta para que o Paquistão se converta num Estado islâmico. "Nós não só nos opomos a Musharraf, como também ao sistema", declarou em uma entrevista à AFP em maio passado.
Os estudantes fiéis a Ghazi lançaram várias campanhas de moralização contra o comércio de música e os prostíbulos. Em 23 de junho seqüestraram nove pessoas, entre elas seis chineses. A China é o principal aliado e fornecedor de armas ao Paquistão.
Esta audácia provavelmente foi um dos motivos da intervenção das forças governamentais contra a Mesquita Vermelha. Depois de oito dias de enfrentamentos, as forças paquistanesas atacaram o templo.
O religioso continua entrincheirado na Mesquita Vermelha. Pouco antes do assalto afirmou que, com ele, havia 1.800 pessoas, e jurou que todos estavam dispostos a morrer como mártires a se render.
mz/cn/fp
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