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"Live Earth": as perspectivas da mudança climática

05/07 - 13:03 - AFP

Tema central dos oito shows do "Live Earth" no sábado, em diversos países, o aquecimento global se manifestará através de desajustes cujas conseqüências assolarão principalmente as regiões mais pobres do mundo, garantem especialistas.

AQUECIMENTO GLOBAL

Segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, a mudança climática é "inequívoca". As emissões de gás que produzem o efeito estufa emitidas pelas atividades humanas são responsáveis do aumento acelerado das temperaturas nos últimos cem anos (0,74°C).

A temperatura mundial poderá aumentar numa faixa entre 1,1° e 6,4°C com relação a 1980-1999 até o ano 2100, com um valor médio compreendido entre 1,8° e 4°C. Apenas um valor de 4° a 6°C separa os números atuais do último período glacial há 20.000 anos: nesta época, a calota cobria a Escócia, afirmam os especialistas.

As emissões mundiais de CO2 (dióxido de carbono, o principal gás causador do efeito estufa) são vinculadas principalmente ao uso de energia fóssil como o petróleo e o carbono, tiveram 6,4 gigatoneladas (6,4 bilhões de toneladas) anuais médias durante a década de 1990 e7,2 gigatoneladas anuais entre 2000 e 2005. Segundo um estudo da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, o ritmo é três vezes mais elevado nos primeiros dez anos de 2000 (3,1% por ano) do que nos anos 90 (1,1% por ano).

OS PRINCIPAIS IMPACTOS:

As regiões mais afetadas serão o Ártico (devido a um aquecimento mais elevado), África, especialmente na região subsaariana, as pequenas ilhas expostas ao aumento do nível dos mares e as tempestades e os grandes deltas da Ásia.

As superfícies afetadas pela seca se estenderão, e as fortes chuvas, mais freqüentes, aumentarão risco de inundações (milhões de pessoas adicionais serão afetadas todos os anos), o que prejudicará o rendimento agrícola e os recursos d'água.

Entre 20% e 30% das espécies vegetais e animais serão ameaçadas de extinção se a temperatura mundial aumenta entre 1,5 e 2,5°C (com relação a 1990). A tundra, os bosques boreais, as montanhas, os ecossistemas mediterrâneos e as regiões costeiras são os ecossistemas mais ameaçados.

A saúde de milhões de pessoas será afetada por mal-nutrição, ondas de calor, inundações, secas, tempestades e incêndios.

A RESPOSTA INTERNACIONAL:

Na Eco 92, realizada no Rio de Janeiro, foi adotada a Convenção sobre Mudança Climática. O compromisso foi ratificado por 188 países e a União Européia dos 15. Os oito países mais industrializados (G8) que representam 13% da população mundial, são responsáveis por 45% das emissões mundiais de gases causadores de efeito estufa.

O Protocolo de Kyoto, concluído em dezembro de 1997 e que entrou em vigor em fevereiro de 2005, impõe objetivos diferenciados de redução de emissões de gases causadores do efeito estufa (relativos a seis substâncias principais, incluindo do CO2 ao metano) apenas a países industriais que o ratificaram. Eles devem diminuir coletivamente suas emissões no período 2008-2012 em 5% com relação a 1990.

Só os Estados Unidos e a Austrália, entre os países industrializados, não ratificaram o protocolo.

Países emergentes como China, Índia e Brasil e demais nações em desenvolvimento foram dispensados de cumprir o acordo, ainda que os chineses estejam prestes a superar as emissões dos americanos.

ach/pg





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