02/07 - 15:52 - AFP

Estilista barroco e poético, Christian Lacroix comemora nesta terça-feira 20 anos de criação em sua Maison - duas décadas estas que conduziram este espírito livre e curioso a exercer talentos em outras áreas diversas, inclusive fora do campo da costura.
Adoro surpreender, declarou Christian Lacroix que chegou a ser, talvez, enquadrado num estereótipo folclórico por aqueles que limitavam a interpretação de sua criação numa exaltação de Arles - sua cidade natal no sul da França -, da Camarga, dos ciganos e toureiros.
Apesar da riqueza de rendas, dos bordados, do preto, do dourado e do vermelho, das cores vibrantes do seu vestuário e das inspirações hispânicas e históricas, Christian Lacroix rejeita o folclore e a anedota.
"Quero sempre o máximo da abstração, com menos ilustração, mais pureza e maturidade. (...) A moda pela moda", explica ele em seu livro "Qui est là?" (Quem está aí?).
É verdade que em sua primeira coleção de alta costura, apresentada em 26 de julho de 1987, Lacroix mergulhou nas suas raízes sulistas e apareceu como um homem ligado às origens. Sua luxúria barroca, no entanto, contrastou com o gosto da época o que resultou para o costureiro em início fracassado.
Na realidade, foi a construção de um caminho feito através de vários encontros que o levaram a um estilo provincial. Estudante de História da Arte em Montpellier, Lacroix foi a Paris para escrever um livro sobre "A roupa através da pintura do século XVII" e se preparar para o concurso de conservador de museu.
Mas conheceu então a furura mulher, que o encoraja a fazer desenhos de moda. Em 1978, o assessor de imprensa Jean-Jacques Picart abre ao costureiro as portas da Hermès. Christian Lacroix aperfeiçoa aí suas experiências, antes de se juntar a Guy Paulin e depois a Patou em 1981.
Em 1987, ele criou sua própria casa de costura, com o apoio de Bernard Arnault, então diretor-presidente da Christian Dior. Na esteira da alta-costura, do prêt-à-porter chega a 1988, seguindo depois uma linha de acessórios. Com o passar dos anos, boutiques e linhas diversas se multiplicaram: "bazar", "jeans", arte da mesa, perfumes, moda infantil...
Paralelamente, a partir de 2002, Christian Lacroix tornou-se diretor artístico da marca italiana Pucci, célebre por suas estampas psicodélicas e controlada, como a casa Lacroix, pelo grupo LVMH de Bernard Arnault. Encarregado de dar trazer novos ares, fica aí por três anos.
Mas o fervor criativo não se traduz em lucros, de forma que os presidentes se sucedem a um ritmo acelerado no controle da casa Lacroix.
Em 2005, LVMH vende a grife ao grupo americano Falic, um gigante da distribuição em duty free. Christian Lacroix continua diretor artístico da casa. Muitas linhas são suprimidas um ano mais tarde.
Moda e estilo de vida: para o costureiro, os dois são estreitamente ligados. Ele nunca limitou suas atividades à moda. Desde o começo, este apaixonado por ópera desenha figurinos para o teatro, para o cinema e também, é claro, para óperas.
Depois dos novos uniformes para a Air France, Christian Lacroix, filho de caminhoneiros, renovou os TGV com suas cores e deu novas roupas ao pessoal da SNCF (rede ferroviária). Ele assinou o desenho da linha férrea de Montpellier, as letras de capa da Larousse 2005, os objetos de decoração das grandes lojas La Redoute, a decoração interior de hotéis, entre outros.
Em novembro, será inaugurada uma exposição no museu da moda e do tecido de Paris, realizada em estreita colaboração com Christian Lacroix. Ela deverá permitir um melhor conhecimento do universo do costureiro e sua concepção exigente da costura, que ele resume assim: "é talvez dirigir-se ao mais puro (...). É acoplar o sonho à realidade. Criar emoção até fazer chorar".
sd/pg
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