Londres, 29 jun (EFE) - A Polícia evitou hoje um atentado que poderia ter sido devastador contra o centro de Londres ao desativar um carro-bomba com quantidades "significativas" de gasolina, bujões de gás e pregos. Se os explosivos tivessem sido detonados, teriam deixado vários mortos e feridos, afirmou o subcomissário da Scotland Yard, Peter Clarke. Em entrevista coletiva na sede da Scotland Yard, o subcomissário - responsável pelo comando antiterrorista - disse que os agentes da Polícia analisarão profundamente todo o material encontrado no dentro do Mercedes cinza metálico. O carro-bomba seria detonado por telefone celular, declararam fontes policiais à rede britânica "Sky News". Pouco depois do episódio, a Polícia fechou a movimentada rua Park Lane, no centro da capital britânica, para analisar outro veículo suspeito. As forças de segurança isolaram 200 metros da rua, disse uma porta-voz da Scotland Yard, sem fornecer outros detalhes.
A Park Lane é uma via paralela ao Hyde Park, cheia de hotéis de luxo e próxima a Haymarket, rua onde o Mercedes com explosivos foi descoberto esta madrugada.
O atentado frustrado com a chegada ao poder do novo primeiro-ministro do Reino Unido, o trabalhista Gordon Brown, que substituiu Tony Blair na quarta-feira.
Além do mais, o novo episódio ocorreu dias antes do segundo aniversário dos ataques terroristas suicidas contra a rede de transportes de Londres, no dia 7 de julho de 2005.
Sobre a possibilidade de um "elemento internacional", em referência à rede terrorista Al Qaeda, Clarke disse que era cedo para levantar hipóteses sobre os responsáveis, e acrescentou que o material das câmeras de circuito fechado de segurança instaladas em Haymarket será analisado.
Haymarket fica junto à estação de metrô de Piccadilly Circus e próxima à Praça Trafalgar, onde há vários cinemas e teatros, assim como o Escritório de Turismo do Reino Unido.
Brown afirmou que o Reino Unido enfrenta uma ameaça "séria e contínua" e pediu à população que se mantenha "alerta".
Já o subcomissário Clarke afirmou que os serviços de saúde haviam recebido nesta madrugada um telefonema do clube Tiger Tiger, onde uma pessoa estava precisando de cuidados médicos.
Após chegar ao local, o pessoal do serviço de ambulâncias observou que estava saindo fumaça do Mercedes, o que gerou suas suspeitas e fez com que chamasse a Polícia, acrescentou.
Fontes policiais citadas pela "BBC" afirmaram que, no veículo, poderia haver até 60 livros de gasolina.
A ministra do Interior britânica, Jacqui Smith, preside hoje o comitê de emergência Cobra, formado pelos principais titulares de pastas e dos serviços secretos, para analisar os últimos acontecimentos.
No final desta reunião, Smith reiterou que o Reino Unido enfrenta uma ameaça "séria e sustentada" do terrorismo internacional e pediu à população que se mantenha "vigilante" e denuncie qualquer coisa suspeita.
O prefeito de Londres, Ken Livingstone, disse que os acontecimentos de hoje evidenciam a necessidade de estar em "constante vigilância" e de responder com calma, e pediu aos londrinos e turistas que cooperem com a Polícia.
Desde 14 de agosto de 2006, quando foi descoberto um complô para a realização de ataques contra aviões comerciais durante o vôo, o nível de ameaça terrorista do Reino Unido ficou em "grave", o segundo mais rígido, indicando que a possibilidade de um atentado é grande.
Segundo a "BBC", poderia haver um "elemento internacional" na tentativa de ataque de hoje.
A descoberta lembra o caso do britânico Dhiren Barot, condenado no ano passado à prisão perpétua por conspirar para cometer atentados contra os Estados Unidos e o Reino Unido.
Barot planejava "explosões maciças" sincronizadas e pretendia armar limusines com cilindros de gás e "bombas sujas", compostas de materiais radioativos e capazes de contaminar com radiação grande áreas.
O professor da universidade King's College de Londres Michael Clarke acredita que o carro-bomba poderia fazer parte de um complô maior com um maior número de explosivos colocados em outros pontos da capital britânica.
A Scotland Yard reforçou a segurança em Londres após o atentado frustrado, colocando patrulhas policiais adicionais em toda a capital britânica.
A medida visa a "dar uma tranqüilidade visível" aos moradores de Londres e a turistas, e "não é uma resposta a uma ameaça específica", disse um porta-voz da Scotland Yard. EFE vg db/ep