São Paulo, 28 jun (EFE).- O presidente do canal venezuelano "Radio Caracas Televisión" ("RCTV"), Marcel Garnier, afirmou nesta quinta-feira em São Paulo que tem medo de um "contágio" em outros países da América Latina do que sua emissora viveu, quando a concessão rede não foi renovada pelo Governo.
Garnier, que participou nesta quinta-feira do "Ato em defesa da liberdade de expressão", promovido pela revista brasileira "Imprensa", disse a jornalistas que "a liberdade é um dos valores mais importantes pelos quais" se deve lutar.
"Tenho medo de um efeito contagiante disto (a não renovação da concessão de seu canal) e já vimos algumas respostas de Governos que vão na mesma direção", acrescentou.
O empresário evitou comentar a ligação do caso da "RCTV" com a decisão que o Legislativo brasileiro deverá tomar para a criação de um canal estatal.
Na pauta de votações do Congresso brasileiro para o segundo semestre, está o projeto de lei para criar um canal público de televisão, com controle do Governo.
A votação do projeto de criação do canal e a que aprovaria o ingresso definitivo da Venezuela no Mercosul foram ameaçadas por legisladores, em função dos recentes atritos do Senado com o Governo venezuelano.
Nos próximos dias, Garnier visitará o Senado, que foi solidário a seu caso e pediu, em uma moção, que o Governo venezuelano retifique a decisão de não renovar a concessão da "RCTV".
Durante o evento, Garnier recebeu um documento de apoio por parte da Associação Internacional de Radiodifusão (AIR), assinada por 17 mil emissoras privadas.
O empresário se defendeu das acusações do Governo venezuelano de que seu canal teria participado do frustrado golpe de Estado em abril de 2002.
A "RCTV" continua produzindo programas disponíveis na internet e outras emissoras de TV, mas deixou de ser visto em sinal aberto a partir do dia 27 de maio, data em que venceu a concessão. EFE wgm jfc/ma