27/06 - 06:58, atualizada às 08:22 27/06 - AFP

O presidente americano George W. Bush homenageou o aliado britânico Tony Blair, que nesta quarta-feira deixa Downing Street, e criticou aqueles que tacham o primeiro-ministro inglês como seu "poodle", em uma entrevista publicada pelo jornal The Sun.
"Ouvi que o haviam chamado de 'poodle' de Bush. Porém, ele é maior do que isto. É apenas um ruído de fundo, uma distração do que é importante", declarou o presidente americano, que fala pela primeira sobre o apreço pessoal em relação ao aliado em uma entrevista.
O primeiro-ministro britânico foi criticado por ter arrastado a Grã-Bretanha à invasão americana do Iraque em 2003 e por ter apoiado de maneira irredutível a política externa dos Estados Unidos sem chegar a influenciar a mesma.
"De alguma maneira nossa relação foi percebida como se Bush dissesse a Blair 'pula' e Blair respondesse 'até onde?'. Porém, não funciona assim. É uma relação na qual os dois pulamos", explicou o presidente americano em uma entrevista concedida em maio e que o tablóide sensacionalista deixou para publicar no dia em que o premier britânico deixa o poder.
George W. Bush afirmou ao Sun, o diário britânico mais vendido (mais de três milhões de exemplares por dia), que pediu a Tony Blair que permanecesse no cargo até o fim de seu próprio mandato, mas que os esforços foram em vão.
"De maneira egoísta disse a ele: 'espero que possa ficar até o fim de meu mandato'. Porém, Tony me disse muitas coisas boas sobre Gordon Brown", explicou.
Blair cederá nesta quarta-feira o cargo de primeiro-ministro a Gordon Brown, considerado como ele um defensor das relações dos países do Atlântico Norte, mas que deve ter um relacionamento mais frio com Bush.
O presidente americano também prestou homenagem à eloqüência de Tony Blair.
"Tony tem um grande talento, que gostaria de ter, que é ser muito eloqüente", confessou.
"Gostaria de ser um orador melhor, ele realmente pode falar (...) Tem um estilo mais nobre e eloqüente que eu", destacou o presidente americano, que se considera mais pragmático.
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