27/06 - 15:50 - AFP

Gordon Brown prometeu nesta quarta-feira "um novo governo com novas prioridades" após ter se tornado o 52o primeiro-ministro britânico, em substituição a Tony Blair que herdou imediatamente o cargo de emissário internacional no Oriente Médio.
Após uma audiência de pouco menos de uma hora com a rainha Elizabeth no palácio de Buckingham, durante a qual foi confirmado como primeiro-ministro, Brown, 56 anos, que esperou anos por este momento, prometeu dar o máximo de si.
"E agora, a mudança começa", afirmou Brown em seu primeiro discurso diante da residência presidencial de Downing Street, acompanhado da mulher Sarah. Ele prometeu atender às "aspirações de todo o país", e unir a nação "para além dos estreitos interesses" do Partido Trabalhista, constituindo um "governo de todas as tendências".
O presidente americano George W. Bush foi o primeiro a reagir a esta transferência de poder. O porta-voz da Casa Branca Tony Snow ressaltou que o presidente havia mantido com Blair uma "relação extraordinária". Bush também pediu a Brown que "prossiga com a forte cooperação".
O presidente francês Nicolas Sarkozy também transmitiu ao novo premier britânico durante uma "longa conversa por telefone" seu desejo de "trabalhar muito estreitamente" com ele e de que "o Reino Unido ocupe totalmente seu lugar no projeto europeu".
Blair, que antes havia apresentado formalmente à rainha sua demissão na presença de Brown após dez anos no poder, foi nomeado em seguida emissário do Quarteto para o Oriente Médio (União Européia, Rússia, Nações Unidas, Estados Unidos).
Bush foi ainda o primeiro a saudar a nomeação de Blair como emissário do Quarteto, se dizendo "feliz que ele prossiga seu trabalho para ajudar os palestinos".
Na esteira deste anúncio, Blair também pediu demissão de seu posto de deputado da circunscrição de Sedgefield (nordeste da Inglaterra), que ocupava desde 1983.
Pela 318a e última vez, Blair, visivelmente emocionado, respondeu durante a tarde às questões semanais dos deputados, que o aplaudiram de pé, ao final de uma sessão em que foi homenageado pelos líderes da oposição e pelo pastor norte-irlandês Ian Paisley.
Ele havia defendido pela última vez sua decisão de manter as tropas britânicas no Iraque, a mancha em sua trajetória como líder. Não se desculpou, mas disse que "lamentava realmente os perigos que os soldados são obrigados a enfrentar no Iraque e no Afeganistão".
"Sei que alguns poderiam pensar que eles enfrentam estes perigos em vão. Não penso isso e jamais pensarei", acrescentou.
Blair também fez declarações a respeito do conflito entre israelenses e palestinos, afirmando que a "prioridade absoluta" era uma "solução com dois Estados", mas que isso exigiria "uma enorme intensidade de trabalho e de concentração".
"Desejo a vocês todos boa sorte, amigos ou adversários, e é isso, é o fim", foram as últimas palavras do primeiro-ministro.
Gordon Brown, o aliado que se tornou rival, inicia um novo capítulo da história política britânica. Ele deverá anunciar a partir de quinta-feira a composição de seu novo governo e rejeitar mais uma vez o pedido de eleições antecipadas, feito pela oposição.
O líder dos conservadores, David Cameron, considerou que Brown não podia ser "a solução" para os numerosos problemas do país, após ter integrado todas as equipes de governo durante dez anos, e por não encarnar "a mudança" exigida.
Menos carismático que seu antecessor, Brown, austero filho de um pastor escocês, prometeu uma mudança para um estilo mais sóbrio, mas se manteve discreto sobre seus projetos, repetindo nesta quarta-feira sua preocupação em realizar mudanças nas políticas de saúde, educação e habitação para restaurar a confiança no governo.
cyb/dm/sd
Publicidade