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Pais de desaparecidos dizem que há milhares de escravos na China

22/06 - 04:27 - EFE

Pequim, 22 jun (EFE).- Os pais de mais de 400 crianças desaparecidas nas redes de escravos para as fábricas de tijolos da China pediram às autoridades um maior esforço, pois, apesar dos recentes resgates, "milhares de trabalhadores continuam sofrendo", informou hoje a imprensa estatal chinesa.

Nos últimos três dias não houve novos resgates, após uma campanha nas províncias de Shanxi e Henan que libertou 591 escravos, entre eles 51 crianças. A Polícia deteve 168 pessoas.

No entanto, os pais dos menores desaparecidos dizem que o problema está longe de ser resolvido, segundo o jornal "China Daily".

"O caso de escravidão no povoado de Hongtong, o primeiro que revelou o escândalo, em maio, é só a ponta do iceberg", disseram os pais, pedindo numa carta às autoridades que salvem seus filhos.

A maioria é de Henan, onde muitas crianças foram seqüestradas em estações de trem ou na rua e levadas a fornos de tijolos em Shanxi, a centenas de quilômetros. Foram seus pais que denunciaram a existência das fábricas, em maio, num dos maiores escândalos dos últimos anos na China.

Agora eles temem que devido à repercussão nacional e internacional os donos das fábricas ilegais tenham parado a atividade e escondido as crianças e outros escravos durante algum tempo.

A agência oficial "Xinhua" informou hoje a detenção de mais duas autoridades acusadas de envolvimento com as redes de venda e uso de escravos.

Os detidos são Hou Junyuan, diretor de uma equipe de inspetores de Trabalho e Previdência Social de Yongji, e Shang Guangze, do mesmo escritório. Eles são acusados de mandar para trabalhar num forno de tijolos um menor de idade que já tinha sido libertado.

Mais de 45 mil policiais, especialmente em Shanxi e Henan, continuam as investigações. Eles já inspecionaram mais de 8 mil fábricas de tijolos e minas de carvão.

Na internet, muitos chineses manifestam sua ira e horror diante de uma situação que poucos conheciam. "É um retorno às plantações do sul dos Estados Unidos", comentou um internauta chinês no popular fórum de discussão "Tianya". "Nosso poder econômico está no século XXI, mas nossa mentalidade continua na Idade Média", comentou outro visitante. EFE abc mf




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