19/06 - 17:18 - AFP

O primeiro-ministro da França, François Fillon, avisou nesta terça-feira que não pretende encerrar o projeto de um eventual aumento da TVA, o imposto sobre o consumo, uma medida criticada pela própria direita por ter permitido à esquerda se recuperar parcialmente no segundo turno das legislativas.
"Não quero que um projeto seja encerrado sob o pretexto de que foi mal explicado", disse Fillon durante um debate com empresários em Tourcoing, no norte da França.
O governo pretende aumentar a TVA (atualmente de 19,6%) e utilizar os fundos arrecadados para repassar parte do financiamento do seguro social das empresas para os particulares. O objetivo é apoiar o emprego e a competitividade reduzindo os encargos trabalhistas e impondo uma taxa maior sobre os produtos importados.
A polêmica criada por esta medida ofereceu à esquerda um argumento inesperado, e aparentemente eficaz, para voltar a mobilizar suas tropas.
Segundo o ex-primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin, a "TVA social" custou cerca de 60 deputados à direita.
A esquerda denunciou uma medida "injusta" que levará os franceses a financiar os "presentes fiscais" oferecidos aos mais ricos através de reduções de impostos, principalmente sobre os direitos de sucessão.
A União por um Movimento Popular (UMP, direita) obteve 314 cadeiras, e seus aliados centristas do Novo Centro, 22. O Partido Socialista (PS) conquistou 185 cadeiras, os comunistas ficaram com 15 e o Partido Verde com quatro.
"Todos admitem que não se pode financiar o seguro social unicamente pelo trabalho", analisou Fillon.
O premier pretende "abrir um grande debate com os franceses" sobre esta questão. "Deve ser possível chegar a um consenso", declarou.
frd/yw/sd
Publicidade