19/06 - 16:51 - AFP

O musical "O Rei Leão" comemora seus dez anos em Johannesburgo, a terra natal de sua canção mais conhecida, "The Lion sleeps tonight", antes de prosseguir em turnê mundial com próxima escala prevista para outubro, em Paris.
Pela primeira vez, esta comédia musical que já atraiu 35 milhões de espectadores, lançada em 1997 na Broadway e ainda em cartaz no teatro Minskoff de Nova York, é interpretada por uma companhia 100% sul-africana.
"Estou muito emocionado. Minha família, meu povo vão me ver, enfim, no palco. O mundo inteiro adorou o espetáculo. Mas aqui é puro entusiasmo, (as pessoas) entendem cada palavra. É nossa cultura!", comemora Buyisile Zama, de 29 anos.
Há cinco anos, de Sidney a Xangai, esta cantora "zulu de sangue puro", nascida em Durban (leste), interpreta Rafiki, o sábio babuíno que acompanha o filhote de leão Simba em seu rito de iniciação até se tornar rei.
Este espetáculo, ganhador de seis prêmios Tony, o Oscar da Broadway, adaptado pela Disney em filme de animação, inclui quinze números musicais, incluindo oito canções de Elton John e Tim Rice.
A magia no palco fica por conta da cenografia de Julie Taymor, aclamada pelas adaptações de vanguarda para "A Flauta Mágica", de Mozart, e "A Tempestade", de Shakespeare. Inspirada nas marionetes indonésias e na arte das máscaras, ela dá aos personagens de "O Rei Leão" uma leveza impregnada de graça.
A ambientação africana é reforçada pelos coros zulu e os cantos de Lebo M, que compôs a música do filme.
"Há dez anos sonhava levar o espetáculo para a África do Sol", explica este poeta, filho de mãe da etnia 'kuosa' e pai 'tsuana', no coração do vibrante distrito de Soweto, perto de Johannesburgo.
"Nas outras produções, temos quatro ou cinco sul-africanos", afirma o coreógrafo Aubrey Linch. "Mas aqui, toda a companhia, de 54 pessoas, é sul-africana. Adaptamos cada personagem à realidade deste país. Tinha que ser autêntico", completa.
"É uma experiência extraordinária para um afro-americano como eu, nascido em Michigan, estar aqui, me enriquecer através do contato com africanos de verdade", entusiasma-se.
A montagem francesa será uma adaptação, como a apresentada em outros lugares, com tradução completa dos textos em inglês do livreto. Zama Magudulela, de 26 anos, que Lebo M chama de "reencarnação de Miriam Makeba" - cantora sul-africana também conhecida como Mama Afrika - diz, entre sorrisos, que cantar em Paris será "uma honra, uma aventura".
Zama estudou francês para interpretar Rafiki a partir de 4 de outubro no teatro Mogador. A artista, nascida em Durban como Buyisile, voltou à África do Sul para filmar o clipe "He lives in you", outra canção do musical, e assistir à estréia da peça, em 6 de junho.
A família de Solomon Linda - autor de "The lion sleeps tonight", que nunca cobrou os direitos da música e morreu na miséria - também foi convidada para a estréia.
Mas os filhos deste ex-mineiro, que chegaram no ano passado a um acordo financeiro sigiloso com a Disney, disseram que verão a peça "mais tarde", segundo afirmaram por meio de seu advogado, Hanro Fiedrich.
"Eles estão muito, muito contentes de que o espetáculo seja apresentado na África do Sul e felizes de que seu pai tenha sido reconhecido, por fim", explica Fiedrich.
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