19/06 - 15:26, atualizada às 18:57 19/06 - AFP

O presidente George W. Bush e o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, expressaram nesta terça-feira um forte apoio ao novo governo palestino formado após a retirada do Hamas islâmico. Voltaram a defender, também, a possibilidade de um Estado palestino coexistindo com Israel.
O primeiro-ministro israelense afirmou a disposição de estabelecer a retomada de "negociações sérias" com o presidente da Autoridade Palestina Mahmud Abbas voltadas para a criação de um Estado palestino.
"Esperamos que o presidente (Mahmoud Abbas) e o primeiro-ministro (Salam) Fayad, que é um homem de bem, sejam reforçados para que possam conduzir os palestinos num bom caminho", disse Bush ao lado de Olmert antes da reunião na Sala Oval.
Abbas é "o presidente de todos os palestinos. Ele defende a moderação. É a voz da razão em meio aos extremistas" na região, disse Bush, que queria informar Olmert a respeito da conversa por telefone que manteve na véspera com Abbas.
"Como você, Olmert, quero reforçar os moderados e cooperar com o presidente Abu Mazen (como também é conhecido Mahmud Abbas), que é o presidente de todos os palestinos, talvez a única pessoa que foi eleita democraticamente por todos os palestinos".
Os Estados Unidos, Israel e a União Européia voltam seus esforços para Abbas e Fayad, agora que o presidente da Autoridade Palestina desmantelou o governo Hamas, após a tomada do poder à força da Faixa de Gaza pela organização radical.
Ao contrário do Hamas, o Fatah de Abbas aceita negociar e reconhecer Israel.
Europeus e americanos, que se recusavam a conversar com o governo Hamas, retiraram nesta segunda-feira o bloqueio diplomático e econômico que impunham às autoridades palestinas, apesar das dúvidas sobre a legalidade da destituição do governo Hamas, eleito democraticamente em 2006. Europeus e americanos esperam a retomada das discussões estagnadas para pôr fim ao conflito entre israelenses e palestinos.
O Hamas acusou o Ocidente de apoiar um "governo ilegítimo".
Olmert viu na situação atual uma "chance". Ele prometeu fazer "todos os esforços possíveis" para cooperar com Abbas.
"Devemos preparar as bases que nos permitirão, em breve espero, realizar negociações sérias para a criação de um Estado palestino", disse.
Ele frisou a necessidade de as autoridades palestinas combaterem "o terrorismo de maneira mais eficaz, o que infelizmente não fizeram até agora", com o estabelecimento de "um governo mais crível e sério".
Bush e Olmert afirmaram partilhar "uma visão comum de dois Estados vivendo em paz lado a lado", segundo as palavras do presidente americano.
A concretização desta "visão" está ameaçada pela divisão dos territórios, entre a Faixa de Gaza, sob domínio do Hamas, e a Cisjordânia, onde foi instaurado o governo de emergência.
Bush e Olmert insistiram em diversas oportunidades que Abbas é o presidente "de todos os palestinos", para dissipar os temores de que a Faixa de Gaza esteja abandonada ao Hamas radical e de que os esforços diplomáticos estejam relacionados apenas à Cisjordânia.
Eles também afirmaram a necessidade de manter a ajuda humanitária a todos os palestinos.
Bush não disse, no entanto, que desejava ver dois Estados, um israelense e outro palestino, coexistindo até o final de seu mandato em janeiro de 2009, como havia expressado há cinco anos por diversas vezes. Ele preferiu descrever a região como cenário de um conflito ideológico "monumental" entre extremistas e moderados.
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