Washington, 17 jun (EFE) - O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, qualificou hoje de "parceiro" o novo Governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP) constituído sem a presença do grupo islâmico Hamas e afirmou que sua instauração abre uma "oportunidade" de paz. Em declarações à imprensa, antes de chegar aos Estados Unidos, Olmert demonstrou satisfação com o novo gabinete dirigido pelo primeiro-ministro Salam Fayyad, que hoje entrou em vigor interinamente. Em Nova York, Olmert se reuniu com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, com quem discutiu as novas circunstâncias políticas nos territórios palestinos, após o Hamas ter tomado o controle da Faixa de Gaza e o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, ter instituído, por decreto, um novo Governo. A preocupação imediata do primeiro-ministro israelense foi com o ataque cometido contra Israel hoje, no qual três foguetes Katyusha foram lançados a partir do sul do Líbano. A ação causou alguns danos, mas não deixou feridos.
Olmert qualificou o ataque de "muito alarmante", em declarações concedidas na casa do Embaixador de Israel na ONU, Dan Gillerman, onde se reuniu com Ban.
No entanto, Olmert não falou de represálias e disse que a ação provavelmente foi cometida "por um pequeno movimento palestino" e não pelo grupo xiita libanês Hisbolá, que negou a autoria do ato.
Estes são os primeiros explosivos lançados nesta região desde o fim do conflito entre o grupo rebelde Hisbolá e Israel em agosto de 2006, que terminou com o envio das Forças Interinas das Nações Unidas no Líbano (Finul).
Olmert ressaltou que o ataque "reforça o papel da Finul e do Exército libanês no sul do Líbano". "O Líbano esteve muito tranqüilo nos últimos nove meses e espero que continue assim", afirmou.
A visita de Olmert a Nova York hoje e a Washington amanhã, onde se encontrará com o presidente americano, George W. Bush, era para ser um contato de rotina para discutir a situação no Oriente Médio, mas os acontecimentos nos territórios palestinos trouxeram uma nova importância à viagem.
Olmert tentará coordenar uma estratégia com os Estados Unidos para fortalecer o Governo de Abbas e isolar o Hamas em Gaza.
O primeiro-ministro israelense deixou claro que a dissolução do Governo de união nacional dirigido pelo Hamas, que venceu as últimas eleições palestinas, é uma boa notícia.
"Nos últimos dias, se abriu uma oportunidade que não tivemos por muito tempo", disse. "Um Governo que não é do Hamas é um parceiro e trabalharemos com ele de forma apropriada", acrescentou o chefe de Governo de Israel.
"Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para não perder esta oportunidade", frisou Olmert.
Já o secretário-geral da ONU disse que "o mundo está muito preocupado com o agravamento da situação na Faixa de Gaza e na região".
"Pedimos a todas as partes que se contenham e resolvam tudo por meios pacíficos", acrescentou Ban, dizendo ainda que possui preocupações humanitárias com a situação em Gaza, onde vivem 1,5 milhão de pessoas.
Os Estados Unidos querem levantar "total e rapidamente" a proibição de oferecer ajuda direta ao Governo da ANP, imposta quando o Executivo era chefiado pelo Hamas, disse o consulado americano em Jerusalém. A União Européia se manifestou no mesmo sentido.
No entanto, Gaza é outra história. Na sexta-feira, o porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, disse que "o Hamas agora é responsável por proporcionar sustento e responder às necessidades materiais dos palestinos de Gaza".
Apesar de o movimento islâmico controlar desde quinta-feira a região, Saeb Erakat, o negociador-chefe palestino nas conversas de paz, pediu hoje o apoio de Israel e de outros países para fornecer água e eletricidade aos habitantes de Gaza.
"Precisamos que a comunidade internacional permaneça ombro a ombro conosco nesta situação tão difícil", disse Erakat em entrevista à "CNN".
Em seu encontro, Olmert e Bush discutirão formas de isolar o Hamas, que se recusa a negociar qualquer tipo de acordo de paz com Israel, sem agravar ainda mais a situação humanitária na Faixa de Gaza. Segundo McCormack, os EUA vigiarão "de perto" a região.
Fontes do Governo de Olmert disseram que o primeiro-ministro também discutiria com Ban um plano israelense para o envio de tropas da ONU à fronteira da Faixa de Gaza com o Egito, com o objetivo de impedir o contrabando de armas para o Hamas.
No entanto, nenhum dos dois líderes mencionou o assunto em suas declarações à imprensa. EFE cma db/ma