Adis-Abeba, 16 jun (EFE) - A Organização das Nações Unidas (ONU) e a União Africana (UA) estudaram hoje a fundo o futuro envio de uma força de paz à região de Darfur, no Sudão, e demonstraram otimismo em relação às negociações para tentar pôr um fim aos confrontos na região. "Conseguimos as bases necessárias para estabelecer uma cooperação eficaz com um espírito construtivo", disse em entrevista coletiva em Adis-Abeba o embaixador do Reino Unido na ONU, Emyr Jones Parry. "O tempo pressiona e devemos assegurar o abastecimento humanitário, o desenvolvimento político e, acima de tudo, a segurança da população de Darfur", acrescentou. A reunião foi realizada na capital etíope, sede da União Africana, e contou com a participação de representantes da organização e do Conselho de Segurança da ONU, que visitam vários países da região. Nas declarações aos jornalistas, os participantes da reunião disseram que o assunto Darfur foi o que mais tempo ocupou nas conversas, apesar de outras crises terem sido discutidas, como a da Somália, mas sem entrar em detalhes. O conflito de Darfur teve início em fevereiro de 2003 e já matou cerca de 200 mil pessoas. Os milhões de deslocados na região geraram uma grande crise humanitária, com muitas restrições nas operações das agências de ajuda.
A reunião de Adis-Abeba teve como anfitriões Parry, e seu colega da África do Sul, Dumisani Kumalo, e acontece dias depois de o Governo do Sudão ter aceitado o envio de uma força conjunta a Darfur.
A força, de 20 mil militares, será principalmente africana, mas existe a possibilidade de que soldados de outros continentes a integrem.
"Será uma missão de paz clássica, com soldados vindos de diferentes países, majoritariamente africanos e vestindo capacetes azuis, porque o azul é a cor das Nações Unidas", disse Kumalo.
O presidente sudanês, Omar Al-Bashir, já se opôs no passado à presença de forças de paz não-africanas, mas agora parece ter aceitado a missão conjunta, que será financiada pela ONU e liderada pelos "capacetes azuis".
Apesar de não ter números sobre o custo da missão, calcula-se que será uma das operações mais caras da história da ONU.
Segundo o embaixador britânico e seu colega sul-africano, os fundos sairão do orçamento das Nações Unidas destinado às missões de paz caso a Assembléia Geral do organismo aprove.
O acordo ainda não foi ratificado totalmente pelo Governo do Sudão, mas os membros do Conselho de Segurança tentarão obter o sim definitivo no domingo, quando visitarão o presidente sudanês em Cartum.
"O que pedimos hoje é a formação de um grupo de trabalho que inclua as três partes envolvidas, a ONU, a UA e o Governo sudanês, para estabelecer um calendário e determinar as responsabilidades de cada um", disse o embaixador dos Estados Unidos na ONU, Zalmay Khalilzad.
Segundo Kumalo, organizar uma força africana formada por 20 mil homens não é uma tarefa fácil. "Por isso, entramos em contato com outros países. China, Índia e Paquistão acolheram a idéia de maneira positiva", disse.
Kumalo acrescentou que alguns países europeus desejam ajudar, mas não especificou quais.
O embaixador do Reino Unido disse que "ainda restam vários detalhes" para serem analisados, principalmente no aspecto financeiro. EFE pg db/ma