Jerusalém, 12 jun (EFE).- O ex-primeiro-ministro de Israel Ehud Barak lidera a corrida presidencial do Partido Trabalhista após anos de ostracismo na política e pode ter em breve o destino da coalizão de Governo em suas mãos, informaram hoje pesquisas de boca-de-urna.
As principais redes de TV israelenses dão a vitória nas eleições primárias a Barak, mas com uma margem apertada de votos.
O resultado da acirrada disputa só será conhecido amanhã.
Segundo pesquisas de boca-de-urna encomendadas por emissoras do país, Barak deve receber entre 50,5% e 52% dos votos, enquanto seu principal oponente, o almirante aposentado Ami Ayalon oscilaria entre 48% e 49,5%.
Barak, de 65 anos, deixou o cenário político em janeiro de 2001 após sua famosa derrota frente ao então candidato do Likud Ariel Sharon e vinha fazendo inúmeras tentativas frustradas de retornar ao poder.
O principal desafio do parlamentar nos últimos anos era conseguir o perdão daqueles militantes, dirigentes e assessores pela crise que se seguiu à derrota do partido nas eleições para primeiro-ministro.
Barak e Ayalon superaram há duas semanas a primeira rodada das primárias, nas quais foi eliminado o atual dirigente trabalhista e ministro da Defesa, Amir Peretz, da disputa.
O candidato vitorioso será o próximo ministro da Defesa de Israel e decidirá sobre o futuro da coalizão de Governo liderada pelo primeiro-ministro, Ehud Olmert, do centrista Kadima.
Nenhum dos dois candidatos se mostrou inclinado a afastar o Partido do Governo neste momento, mas indicaram que vão esperar os resultados do relatório final da Comissão Winograd, que investiga os erros do conflito no Líbano em novembro de 2006.
O relatório preliminar responsabilizou Olmert e Peretz pelo fracasso neste episódio.
Ayalon, que afirmou antes da primeira rodada das primárias que se fosse eleito não mediria esforços para destituir Olmert, mudou de idéia após se aliar com Peretz, o que aconteceu depois da eliminação do candidato trabalhista.
Já a campanha de Barak se manteve voltada para o futuro. Ele se apresentou como o candidato mais adequado para vencer o líder do nacionalista Likud, Benjamin Netanyahu, em eventuais eleições gerais antecipadas.
Além disso, afirmou que ele é o único que pode "preparar Israel para a guerra e tomar as decisões adequadas para a paz".
Ayalon é ainda um novato na política, tendo entrado há apenas um ano no Parlamento israelense.
Por esta razão já era de se esperar que seus adversários considerassem ousada sua aspiração de dirigir o Partido mais antigo do país.
No entanto eles também reconhecem que o pouco tempo de Ayalon conta pontos a seu favor em um sistema político marcado por corrupção e escândalos.
O militar aposentado deve ocupar algum cargo no Governo de coalizão, como Peretz, que, segundo fontes, lideraria um Ministério ligado a questões sociais.
Assim que forem divulgados oficialmente o resultado das primárias, Olmert deve começar as negociações com o novo líder do Trabalhismo para uma remodelação de Governo que terminará em 15 dias.
Caso a coalizão de Governo se torne insustentável após a divulgação do segundo relatório Winograd, o vencedor deve liderar o Trabalhismo em novas eleições com alguma proposta para relançar o processo de paz.
Barak foi o único chefe de Governo israelense a chegar a oferecer extra-oficialmente aos palestinos a criação de um Estado independente na maior parte do território da Cisjordânia e em Gaza.
Nas negociações de Camp David, em 2000, também apresentou uma proposta de divisão de Jerusalém, como parte de uma oferta global que, na época, foi recusada pelo então presidente palestino Yasser Arafat. Recentemente, Barak repetiu que para promover um processo de paz seria preciso abrir mão de Jerusalém Oriental.
No entanto, ele afirmou que não acredita que Israel possa negociar um acordo de paz neste momento com os palestinos, e, por esta razão, acha melhor esperar até que a situação seja esclarecida.
EFE dm lb/fal