12/06 - 10:12, atualizada às 10:26 12/06 - EFE

San Francisco (EUA) - O "Verão do amor", que reuniu, em 1967, milhares de pessoas no bairro de Haight-Ashbury, em San Francisco, e revelou ao mundo o movimento hippie, completa agora 40 anos.
Óculos estilo John Lennon, flores no cabelo, cores psicodélicas, o símbolo da paz e, principalmente, a figura do hippie dançando no Golden Gate Park estão entre as imagens que ficarão para sempre gravadas no inconsciente coletivo americano após o famoso verão de 1967.
O fenômeno explodiu algumas semanas antes do fim do período escolar de 1967, quando mais de 100 mil jovens de todo o país - a "invasão dos Flower Children", como o evento foi conhecido na época - realizaram uma estranha peregrinação a San Francisco para participar do "circo psicodélico" de Haight-Ashbury.
A data é considerada o "marco zero" deste movimento, hoje um elegante bairro de casas vitorianas transformado em um dos principais atrativos turísticos da cidade, símbolo, talvez, de todos aqueles "baby-boomers" que substituíram as camisas floridas pelos ternos escuros.
A experiência não tardou em se dissolver, não sem antes deixar marcas eternas nas muitas esferas da vida cultural e social deste país: desde a música pop até a arte e a moda, as relações humanas, a sexualidade, a diversidade racial e étnica e a atitude em relação às drogas.
Os estudantes participaram em peso atraídos pela publicidade originada após o "Human Be-In", um evento no parque em janeiro de 1967 no qual participaram bandas de rock como Jefferson Airplane e poetas "beatnik" como Allen Ginsberg, Lawrence Ferlinghetti e o "evangelizador" do LSD Timothy Leary.
Para Ferlinghetti, proprietário da City Lights Books, que continua sendo uma das livrarias mais veneradas da cidade, se trata de um movimento que transformou o país.
"Os principais aspectos da contracultura hippie foram absorvidos pela classe média: a música, a roupa, o movimento contra a guerra", afirmou Ferlinghetti em declarações ao jornal "San Francisco Chronicle".
A publicação recolheu, em uma série recente de entrevistas, opiniões de inúmeras personalidades - como o co-fundador da Apple, Steve Wozniak, e a cantora Joan Baez - que refletiu sobre um fenômeno que aconteceu três anos e meio depois do assassinato do presidente John F. Kennedy e, sobretudo, quando o número de tropas americanas na Guerra do Vietnã não parava de crescer.
Os objetivos políticos falharam, mas não os culturais, afirma o ator Peter Coyote, antigo membro da famosa comunidade dos Diggers, em Haight-Ashbury, no final da década de 60.
"Não terminamos com o capitalismo, nem com o imperialismo. Mas quanto aos objetivos culturais, todos funcionaram", destacou o ator.
Na opinião de David Getz, da banda de rock da cantora Janis Joplin, Big Brother and the Holding Company, a mensagem que irradiava de San Francisco era mais pessoal do que política, apesar da Guerra do Vietnã, já que pôs em xeque "as mesmíssimas fundações da vida moderna nos EUA".
"Era sexo, drogas e rock'n'roll, e tudo isso foi divertido, mas no coração da contracultura havia uma revolução espiritual", afirma o escritor Paul Krassner.
Todos esses elementos se misturaram ao LSD, droga que se popularizou antes de ser considerada ilegal e, certamente, à música, com bandas como Grateful Dead, Quicksilver Messenger Service e Big Brother and the Holding Company.
A festa terminou rapidamente.
O "speed" substituiu o LSD e o local que abrigava os hippies despreocupados e alegres se tornou, ao longo do tempo, residência de inúmeros pedintes.
O fim do "Verão do amor" ocorreu em outubro de 1967, quando um grupo de moradores organizou a procissão funerária "The Death of the Hippie" em Haight-Ashbury.
Morto, talvez, mas não enterrado, já que de alguma maneira, por mais tênue que esteja sob o mandato do presidente George W. Bush, o movimento continua presente no imaginário americano.
Como destaca o poeta Michael McClure, se todos esses jovens não tivessem dado margem à criação de uma nova cultura, uma nova família que acredita na paz, natureza, sexualidade (...) "hoje estaríamos sob uma lavagem cerebral ainda pior".
Saiba mais sobrw: Verão do Amor
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