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Muftis no Egito utilizam e-mail e mensagens de texto para divulgar as fatwas

11/06 - 10:14 - EFE

Heba Helmy Cairo, 11 jun (EFE).- Os muftis do século XXI utilizam os últimos avanços tecnológicos - mensagens de texto, sistema Hot Line e e-mails - para enviar as fatwas, ao mesmo tempo em que continuam com suas vidas ligadas ao século VII, pois a vida do profeta Maomé serve, quase sempre, como um exemplo a seguir.

Em uma religião que não tem uma sede e baseia suas leis no Corão e no conjunto de escritos sobre a vida de Maomé, os muftis, através das fatwas, cumprem a função de responder às dúvidas jurídicas que surgem ao muçulmano sobre qualquer aspecto da vida.

No Egito, uma instituição chamada Dar al-Ifta, ou Casa das Fatwas, criada em 1895, emite atualmente mil ditames diários sobre quase todos os aspectos da vida.

Pode-se pedir uma fatwa, que em árabe significa uma opinião religiosa especializada em questões jurídicas, mas não obrigatória, em mensagem por e-mail ao endereço fatwa@dar-alifta.org em árabe, inglês, francês ou alemão, e, em breve, em espanhol.

Apenas doze clérigos que receberam um treinamento sobre a "arte" de enviar estes ditames estão autorizados a fazê-lo, sob a direção do Grande Mufti da República, Ali Gomaa.

Quase 80% das fatwas respondem a conselhos sobre assuntos sociais, principalmente familiares, como quando a mulher pode pedir o divórcio, se é legítimo o repúdio, ou o que uma mulher deve fazer ao descobrir que o marido se casou com outra sem falar nada.

Outras fatwas tratam de assuntos econômicos ou diversos, e algumas são enviadas após a realização de uma consulta com o Centro Nacional de Estudos, como uma recente que proíbe beber leite que contenha substâncias químicas.

"A arte de emitir uma fatwa se baseia em relacionar a aplicação das leis islâmicas com a vida real", explicou à agência Efe o conselheiro dos muftis, Ibrahim Negm, na moderna sede da instituição no centro do Cairo.

O conselheiro, também chefe do escritório de informação, deu como exemplo a relativa flexibilidade do Islã inclusive em temas como a proibição da carne de porco: um édito reconheceu que pode ser comida em caso de extrema necessidade, caso o muçulmano "esteja morrendo de fome e não tenha nada mais para comer".

Apesar dessa "arte", as diversas fatwas não se ajustam ao ritmo da vida contemporânea, pois as referências disponíveis da vida de Maomé, no século VII, nem sempre dão respostas às necessidades do século XXI.

Há poucas semanas, uma fatwa emitida pelo próprio Grande Mufti recebeu muitos comentários sarcásticos. Segundo o édito, o profeta Maomé deu a própria urina para seus companheiros beberem e assim lhes transmitiu suas benções.

A fatwa fazia parte de um livro de Ali Gomaa intitulado "As fatwas contemporâneas para tudo o que importa ao muçulmano", mas na segunda edição as polêmicas referências à urina sagrada foram eliminadas.

"Toda a repercussão das palavras do Grande Mufti foi muito triste. Não mereciam tantas críticas por um incidente trivial", disse Negm.

Negm tem um aspecto moderno e se expressa perfeitamente em inglês, mas obriga toda mulher que o visite, muçulmana ou não, a cobrir a cabeça.

A Casa das Fatwas tem agora entre seus objetivos melhorar a imagem da religião de Maomé no Ocidente.

Para conseguir isso, o Grande Mufti percorreu meio mundo e optou por enviar os clérigos da instituição aos países ocidentais para que façam doutorado ali, segundo Negm.

O futuro projeto também destinado a aproximar o mundo muçulmano e o Ocidente, e que foi apresentado à Universidade de Cambridge, consiste em traduzir os cem livros mais importantes para ambas as partes em diferentes idiomas.

O Grande Mufti acredita que o Ocidente, apesar dos aspectos negativos, tem muito de positivo a oferecer ao mundo muçulmano. "Só é preciso escolher o que convém ao espírito do Islã", afirmou Negm.

EFE hh pp/dgr




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