08/06 - 18:27 - AFP

Cinqüenta artistas latino-americanos, entre eles os jovens do grupo "Morrinho", participam da 52ª edição da Bienal de Arte de Veneza, que abre suas portas ao público no próximo domingo.
A presença de um número tão elevado de artistas latino-americanos, tanto aqueles convidados pelo curador da bienal, Robert Storr, quanto por galerias particulares e pelas autoridades de seus próprios países para representá-los oficialmente, representa uma oportunidade única para a arte do continente.
O encontro internacional de arte mais antigo do mundo, a cargo pela primeira vez de um reconhecido crítico de arte americano, reitor da Yale School of Art e por dez anos curador do Museu de Arte Moderna de Nova York, é uma viagem por um mundo globalizado.
"A arte é uma network (rede) mundial", disse Storr, que rompeu com o tradicional 'europeucentrismo' do evento e abriu posteriormente a mostra à arte de todos os continentes, criando o primeiro pavilhão africano da história e convidando "meninos de rua" do Rio de Janeiro.
O grupo "Morrinho", formado por 10 jovens, apresenta uma obra coletiva divertida, "um jogo", como definiu um de seus criadores, ao montar uma reprodução em miniatura de uma "favela", com tijolos sobrepostos, cheia de brinquedos.
"É uma bienal com muitos eixos centrais, interativa", definiu o crítico de arte Giovanni Visone, segundo quem Storr foi buscar a arte nos países mais vitais: Brasil, Argentina, Japão e, naturalmente, nos da África.
A Bienal "democrática", como foi qualificada, também é fortemente política, razão pela qual é inaugurada com uma obra de denúncia contra a ditadura militar e a hipocrisia da Igreja católica, a cargo do polêmico argentino León Ferrari.
Entre os países latino-americanos com pavilhão próprio entre os 76 presentes este ano, quase todos localizados na tradicional sede dos jardins venezianos, estão Brasil (José Damasceno, Angela Detanico, Rafael Laín), Argentina (Kuitca), Uruguai (Ernesto Vila) e Venezuela (Antonio Briceño).
Depois de 50 anos de ausência, o pavilhão mexicano voltou a Veneza, no Palácio Soranzo, com uma obra interativa de Rafael Lozano-Hemmer, que brinca com as sombras da pessoa, a vigilância, os espaços, em suma, o mundo de hoje.
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