Genebra, 7 jun (EFE).- A desnutrição infantil, que afeta 20 milhões de crianças com menos de 5 anos, deve ser tratada também nas comunidades afetadas com alimentos terapêuticos prontos para usar e altamente enriquecidos, afirmou a ONU hoje.
A Organização Mundial da Saúde (OMS), o Programa Mundial de Alimentos (PMA), o Comitê Permanente de Nutrição das Nações Unidas e o Fundo da ONU para a Infância (Unicef) apresentaram um enfoque que combina o tratamento na comunidade onde a criança vive com o atendimento médico.
Segundo os órgãos, 75% das crianças no mundo que apresentam desnutrição grave aguda - com apetite e sem doenças graves - podem receber tratamento em casa com este tipo de alimento.
Os especialistas disseram que são alimentos de alto valor energético, de consistência leve ou triturável, e aptos para o consumo das crianças com mais de seis meses. Além disso, não é necessário acrescentar água, o que reduz o risco de infecções bacterianas.
Esses alimentos oferecem os nutrientes necessários para tratar em casa as crianças com desnutrição grave, não precisam de refrigeração, e podem ser usados em condições higiênicas pouco adequadas.
Até agora, a resposta tradicional à desnutrição grave aguda era enviar as crianças para hospitais, onde recebiam alimentos de base láctea.
Os especialistas dessas agências disseram que, embora esse tratamento seja eficaz, nos países pobres - onde vive a maioria das crianças afetadas -, as famílias não têm acesso a clínicas devido à falta de recursos ou à distância.
Por isso, afirmaram que, em tratamentos combinando a ação comunitária e a de saúde, "a desnutrição grave aguda poderia prevenir centenas de milhares de mortes de crianças por ano".
"Os 20 milhões de crianças com menos de cinco anos que atualmente têm desnutrição grave aguda precisam de tratamento urgente. Este enfoque integrado tornará possível redobrar os esforços nesse sentido", disse a diretora-geral da OMS, Margaret Chan.
Segundo os especialistas, esse enfoque já melhorou as taxas de sobrevivência de crianças gravemente desnutridas em situações de emergência na Etiópia, Malauí, Níger e Sudão, e que o objetivo é ampliar o projeto para outras comunidades.
A desnutrição grave aguda mata um milhão de crianças por ano, o que equivale à morte de uma a cada 30 segundos. As crianças que apresentam desnutrição grave aguda têm até 20 vezes mais chances de morrer do que as crianças bem nutridas.
Segundo a diretora-geral da OMS "é imprescindível que este enfoque seja acrescentado, junto com outras medidas de prevenção, às intervenções eficazes em relação a seus custos usados para melhorar a nutrição e reduzir a mortalidade infantil".
A diretora-executiva do PMA, Josette Sheeran, disse que, com essa iniciativa, "utiliza-se um produto cuja composição tornará possível salvar milhões de vidas. É um exemplo da nova tecnologia e capacidade que nos aproximam da conquista do primeiro Objetivo de Desenvolvimento do Milênio".
"Os alimentos terapêuticos prontos mostraram sua eficácia em relação ao tratamento da desnutrição grave aguda infantil", disse a diretora-executiva do Unicef e presidente do Comitê Permanente de Nutrição da ONU, Ann Veneman.
As instituições destacaram também a importância de outras medidas, como otimizar a nutrição dos lactantes e crianças pequenas, o acesso aos alimentos de boa qualidade, a melhora dos sistemas de água e saneamento, as práticas higiênicas e melhorias no acesso aos serviços de atendimento médico. EFE emm an