Caracas, 7 jun (EFE).- Após duas participações, estudantes venezuelanos contrários ao Governo abandonaram hoje um debate na Assembléia Nacional (AN) que teve a presença de jovens de diferentes posturas políticas para discutir assuntos de interesse nacional.
A realização do debate na AN fora pedida por estudantes chavistas e opositores, e aceita pelos deputados para que eles expressassem suas idéias acerca de diferentes assuntos, entre eles a decisão do Governo de não renovar a concessão do canal privado "Radio Caracas Televisión" ("RCTV").
A presidente da AN, Cilia Flores, fez uma breve introdução, na qual destacou que os estudantes poderiam expor as idéias que quisessem com absoluta liberdade em vinte falas, dez de cada lado, de quinze minutos de duração cada.
"Bem-vindos, e que o povo ouça de boca de vocês suas idéias, suas posições. E que cada um tire suas conclusões", afirmou Flores.
A primeira participação foi do estudante opositor Douglas Barrios, que leu um texto sobre as virtudes da democracia, da liberdade e dos direitos civis, e defendeu a vigência destes em todas as atividades do país.
Essa fala foi respondida por Adriana Tarazona, representante dos estudantes que apóiam o Governo. Ela criticou não os princípios democráticos defendidos por Barrios, mas a visão "equivocada" adotada pelo opositor, de acordo com sua posição.
Em terceiro lugar falou o estudante Yon Goicoechea, um dos principais porta-vozes do setor estudantil opositor, que afirmou seu grupo se retiraria porque não fora à AN para fazer política, mas para expor princípios que facilitassem a reconciliação entre os venezuelanos.
Quando os estudantes opositores abandonaram o plenário, a presidente da AN tomou a palavra e disse que essa atitude lhe parecia "suspeita", porque esses jovens haviam pedido a realização do evento e ganho a oportunidade de dizer o que quisessem perante todo o país, com transmissão ao vivo de rádio e televisão do país.
A presidente da AN disse que a "fuga" dos estudantes lhe lembrou a atitude que a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, teve na segunda-feira passada durante a Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), no Panamá, onde não assistiu ao discurso do chanceler venezuelano, Nicolás Maduro.
Flores concluiu que a inesperada saída dos estudantes opositores confirma "que eles não tinham nenhum posicionamento para expor ao povo, e que suas manifestações fazem parte de um plano desestabilizador".
A presidente da AN decidiu manter as falas e permitiu que os restantes nove estudantes chavistas expusessem seus pontos de vista.
Nelas, os jovens chavistas defenderam o processo revolucionário "bolivariano" e disseram que os opositores abandonaram a Assembléia porque perceberam que não tinham argumentos além das "palavras de ordem vazias" que repetiam nas manifestações realizadas desde 28 de maio.
Os protestos começaram no dia seguinte à saída do ar da "RCTV", cuja concessão, que venceu à meia-noite de 27 de maio, não foi renovada pelo Governo do presidente Hugo Chávez.
A "RCTV" perdeu seu sinal aberto de transmissão, mas manteve a produção de programas de notícias - alguns podem ser vistos pela internet - e de entretenimento.
O deputado Earle Herrara classificou como "histórica" a sessão de hoje, por ser a primeira vez desde que o Parlamento foi construído, no final do século XIX, que os estudantes podem expor seus pontos de vista ao Legislativo.
A maioria dos estudantes chavistas foi à AN vestida com roupa informal, enquanto os oposicionistas compareceram uniformizados com camisas vermelhas, semelhantes às utilizadas por seus adversários.
Nas proximidades da Assembléia, sob estreita vigilância policial, concentraram-se estudantes oposicionistas, com mensagens em favor da liberdade de expressão, e governistas, com fotos e cartazes em defesa de Chávez. EFE rr ep