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Rebelde colombiano é julgado pela segunda vez por seqüestro de americanos

06/06 - 17:16 - EFE

Jorge A. Bañales Washington, 6 jun (EFE).

- O rebelde colombiano Ricardo Palmera, conhecido como Simón Trinidad, está sendo julgado nos Estados Unidos, pela segunda vez, por suposta ligação com o seqüestro de três americanos em 2003, foi descrito hoje pela promotoria como líder terrorista e, pela defesa, como patriota justiceiro.

"Os americanos Keith Stansell, Thomas Howes e Marc Gonsalves, três civis, foram reféns na Colômbia durante 1.574 dias, e esse homem ali é responsável, um líder da organização terrorista", disse o promotor John Crab ao júri, apontando em direção a Palmera.

Simón Trinidad é membro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), mas, segundo a defesa, ele "nada teve a ver com a captura e detenção dos três 'funcionários civis' do Pentágono", em 2003 no território colombiano, disse o advogado Robert Tucker.

"Os Estados Unidos estão profundamente envolvidos na guerra civil da Colômbia, e, em toda guerra, há prisioneiros", acrescentou.

No início dos depoimentos, o juiz Royce Lamberth deu instruções detalhadas às 11 mulheres e aos 5 homens que formam o júri - 12 titulares e quatro suplentes -, explicando a eles as cinco acusações que pesam contra o rebelde.

"Há uma acusação de conspiração no caso do seqüestro de três cidadãos americanos, há três acusações de seqüestro referentes a cada um dos três seqüestrados, e há uma acusação de fornecimento de ajuda material a uma organização que o Governo dos EUA qualificou como terrorista", informou.

Lamberth já decidiu que, se a defesa solicitar, permitirá que Palmeira se pronuncie no julgamento. A promotoria quis impedir esse depoimento, pois, em um julgamento no ano passado, as declarações do acusado pareceram levantar dúvidas entre os jurados e impedir que chegassem a um consenso.

O insurgente, de 57 anos de idade, acompanhou todo o julgamento com a tradução de três intérpretes, enquanto tomava notas em um caderno.

Em uma apresentação de 50 minutos, o promotor utilizou material audiovisual para acompanhar suas acusações, incluindo fotografias dos três americanos capturados pelas Farc, de Simón Trinidad com uniforme de combate e fuzil no ombro e gravações de depoimentos do acusado.

Para auxiliar o júri, Crab mostrou um mapa do norte da América do Sul e da América Central, e localizou, na Colômbia, a área onde foram capturados os americanos, depois que o pequeno avião em que viajavam caiu em uma região controlada pela guerrilha.

Ele descreveu, com tom dramático, o episódio, ocorrido em fevereiro de 2003. No avião, viajavam quatro americanos e um colombiano, que segundo Crab, tiravam fotos de plantações de coca.

"Esses funcionários trabalhavam para deter, na Colômbia, o tráfico de cocaína, e impedir que a droga chegasse às ruas dos EUA", afirmou. Ele acrescentou que "dois dos tripulantes foram executados pelas Farc, e os outros três permanecem como reféns da organização terrorista".

"Vocês escutarão que a defesa falará de 'prisioneiros'", disse Crab. "As Farc são uma organização ilegal, que não tem título, nem direito algum a tomar prisioneiros. É uma organização que faz reféns para obter recompensas, e para pressionar o Governo da Colômbia".

Tucker contou ao júri como Palmera, membro de uma rica família colombiana, uniu-se às Farc há mais de 20 anos, depois de atuar na política de seu país, em um partido cujos dirigentes foram assassinados sistematicamente por grupos paramilitares.

"Quando outros dirigentes da União Patriótica, amedrontados pelos assassinatos, abandonaram a Colômbia, Trinidad enviou sua esposa e seus dois filhos ao México, e decidiu ficar no país que ele ama", explicou o advogado.

"Trinidad não foi nunca um dirigente de alto nível das Farc", e "nunca viu, nunca falou com os três americanos seqüestrados", reforçou.

"Quando foi detido no Equador (em 2004), não tinha ido negociar a libertação dos três americanos, e, de fato, tal como disse a seus interrogadores, nem sequer sabia onde esses prisioneiros estavam, ou se estavam vivos", acrescentou. EFE jab is/ma




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